Coach do Coach

Os melhores profissionais e as melhores equipas têm um denominador comum: serem peritos nas competências intra e inter que perfazem as relações interpessoais entre todos os objectivos, as ferramentas e os meios. (Rui Lança)

segunda-feira, 30 de maio de 2011

O futebol do Barcelona é uma lição para qualquer equipa de trabalho

O Barcelona venceu no Sábado 'mais' uma Liga dos Campeões. Provavelmente contra uma excelente equipa e, que em condições normais, seria um candidato com uma grande probalidade de vencer a final.

O clube vende a imagem que é mais do que um clube. Acredito. Ensinaria muitas das maiores empresas e organizações mundiais a saberem como gerir recursos.

Mas olhando apenas para a equipa de futebol, a própria equipa é mais do que uma simples equipa de futebol. E não falo da vertente técnica, física, táctica ou comportamental. Parece haver ali mais qualquer coisa.

Daquilo que é visível, para além da parte técnica roçar o quase perfeito, ter alguns jogadores que são os melhores ou dos melhores do mundo nas suas posições, por ter um treinador que encaixa na perfeição ali, parecer (e é certo?) que a equipa joga baseando o seu jogo nos princípios básicos que aprendemos nos infantis e ensinamos aos miúdos: passe, recepção, deslocação, passe, recepção, deslocação, etc...

Apetece a perguntar: os treinos deles são jogar à 'rabia'? Estilo...treino: cada equipa tem de conseguir dar 20 passes seguidos e depois tente marcar golo.

O que isto tem a haver com as empresas? Bem...baseiem a gestão e liderança das equipas nos princípios básicos das relações laborais e humanas: bom senso, escuta activa, respeito, responsabilização e dedicação.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Quais as características de um Facilitador?

O mês passado, durante uma formação, abordávamos qual ou quais as características que distingue e valoriza uma pessoa dita como bom 'facilitador'. Alguém que é necessário, porque facilita, faz acontecer, desbloqueia, interage, tem uma ampla capacidade de ver os factos sobre diversas perspectivas.

O termo facilitador é amplo e um quanto dúbio. Será que tem funções de formador? Ou pode servir como consultor também? E até que ponto um líder ou coach pode ser também um facilitador? E a ter algumas destas características e tarefas, qual o equilíbrio perfeito e em que contextos ele pode o ser?

. Deverá ser instrutor?
. Ajuda a atingir o objectivo dos formandos?
. Ajuda (sem influenciar directamente) a descobrir?
. Dá e cria as condições para serem geradas ideias?
. Lidera o processo para serem tomadas decisões?
. Controla o processo e não o resultado final?
. Faz recordar, mantém a “chama” acesa relativamente ao caminho a traçar?
. Cria uma atmosfera de participação democrática?

Depois das fases que fazem parte de um qualquer projecto, ou seja, angariação de informação, tratamento, planeamento, diversas reuniões, quando chegamos à operacionalização é exigido ao facilitador alguns ‘dotes’:

. Flexibilidade comportamental e cognitiva: capacidade de adaptação a novas formas de pensar e interagir?
. Identidade cultural: desenvolvimento de relações humanas com pessoas de diferentes culturas?
. Tolerância: capacidade para entender situações estranhas até à data?
. Paciência?
. Entusiasmo e compromisso com estes desafios?
. Trabalhar as técnicas comunicativas?
. Empatia?
. Respeito?
. Senso comum q.b. para lidar e contornar questões complexas?

Na vossa opinião, qual a característica e comportamento que mais se deve associar a um Facilitador?

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Os erros que são conhecidos, todos os conhecem mas continuam a ser repetidos!

Deixo-vos alguns dos “(..) 30 erros mais comuns que os gestores cometem em uma economia marcada por incertezas”, estudo realizado pela Robert Half, uma empresa de consultoria. Já foi publicado em diversos locais, especialmente na análise de ambientes de crise, mas nada melhor que recordar para sabermos em concreto o que se sabe que não se deve fazer, mas que se continua a fazer!

. Pensar que seus funcionários não conseguem lidar com a verdade (certo!)
. Achar que as pessoas tem sorte somente por terem um emprego (...)
. Procurar saber dos factos por fontes externas
. Não partilhar os feitos da empresa
. Reduzir a autonomia e o trabalho da equipa (precisava de existir...)
. Eliminar incentivos
. Presumir que todas as pessoas são iguais
. Pensar no curto prazo ao fazer cortes
. Ignorar os maiores propósitos
. Mania de reuniões
. Reduzir a formação
. Confundir estar muito ocupado com ser produtivo
. Reprimir o pensamento crítico
. Ter informações insuficientes
. Construir bloqueios à criatividade
. Fechar-se para novas ideias
. Tirar o foco da linha de frente

terça-feira, 17 de maio de 2011

Sobre o que dizem do Barcelona e a posse de bola

Publiquei na Colectividade Desportiva

"Considero pessoalmente que a escrita nos jornais desportivos deu um enorme salto qualitativo, principalmente porque se deixou de ver alguns erros que eram algo usuais e denegriam a qualidade que os jornais apresentavam e apresentam.

Continuo a ser um habitual leitor dos jornais desportivos, hábito que muitas das vezes não proporciona grandes benefícios, mas a tradição em algumas vertente ainda se mantém. Numa das leituras li uma crónica do jornal 'A Bola' no dia 7 de Maio, que qualifica a posse de bola do futebol do Barcelona como falta de fair-play por parte do clube relativamente aos seus adversários.

Vai mais longe dizendo que o clube apenas a faz para que os adversários não tenham posse de bola e assim evitando que os adversários possam criar lances de perigo (pensava eu que era lógico que assim fosse). Afirma e compara os papéis da FIBA e da FIFA. A intervenção de uma e de outra entidade responsável a nível mundial pelas modalidades de Basquetebol e de Futebol/Futsal.

Por partes! Ao contrário do que escreve, a equipa do Barcelona troca muitas das vezes a bola no campo adversário quando não chega a ser quase provocatório quando o faz dentro da área dos adversários. A equipa cria oportunidades de perigo. Marca golos. Possui a bola mais tempo não só porque a possui mas também porque a recupera tão rápido que faz com que outro clube recheado de excelentes jogadores a tenha de pontapear para a frente tal a incapacidade de a reter. Não faz de uma equipa melhor que outra, apenas são estratégias diferentes.

Os resultados ditam na verdade as equipas. As equipas precisam de resultados. O Barcelona fica na história como um dos melhores 'futebóis' que se viu. Não porque esconde a bola dos adversários, mas porque a consegue manter durante os tais 70's % de tempo útil do jogo. E já agora, porque também tenho ganho títulos.

Quanto à comparação entre a FIBA e a FIFA, a primeira é provavelmente a Federação Internacional que melhor e de forma mais célere se adapta aos espectáculo e procura satisfazer o serviço e produto que oferece aos adeptos de Basquetebol. Umas vezes a reboque da NBA, mas o Basquetebol é provavelmente em todos os aspectos a modalidade colectiva mais completa. Por si só, considerar ou querer comparar o papel da FIFA ao pé da FIBA é...não tem comparação. A FIFA demora anos a alterar algo. A FIBA altera de uma época para outra.

A FIBA passa para os 30'' e depois 24'' porque quer mais ataques. Mas dar tempo de jogo limite às equipas de Futebol não significa que a mesma ataque. Porque não impede que a outra defenda. As estruturas e as dimensões e principalmente a cultura existente nas duas modalidades não 'deixam' que tal alguma vez possa vir a existir.

São opiniões, umas vezes mais subjectivas outras mais objectivas."

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Quase a terminar...

Quase a terminar a estadia e a aventura por terras africanas, diria que são experiências que marcam a vida. Uma pequena história pode retratar algo mais:


"Um homem passeava na praia e observou ao longe que uma criança pegava em todas as algas que encontrava na areia e as mandava de volta para o mar. Repetia por diversas vezes o gesto. Intrigado, perguntou à criança porque fazia aquilo. A criança respondeu:
- Para as devolver de onde vieram!
O homem respondeu:
- Sim, mas elas provavelmente vão voltar para a areia, não achas?
A criança respondeu:
- Sim, mas se de dez que enviar ficar pelo menos uma no mar, já valeu o gesto.


Não se muda o mundo, não se altera todo o destino, mas um sorriso é um sorriso, um gesto é um gesto, uma refeição é uma refeição, uma peça de roupa é uma peça de roupa, um metical é melhor que nenhum...

domingo, 8 de maio de 2011

Lições de vida por Inhambane

Ainda por terras Moçambicanas, todos os momentos têm sido pequenos momentos que perfazem enormes aprendizagens!

Costumo perfilar que as relações com as outras pessoas sejam elas sociais ou profissionais, começam por momentos de ‘autos’: conhecimento, disciplina e predisposição importantes para definir o que conhecemos de nós próprios para sabermos o que aguentamos e até onde estamos dispostos a ir (e como? se possível).

Isto selecciona uma grande parte do relacionamento que conseguimos criar ou manter com as pessoas bem como as dinâmicas e processos relacionais/comunicacionais com essas mesmas pessoas. Nem sei se isto é mais fácil explicar através da prática/teoria ou através de movimentos de suposição.

Voltando a terras Moçambicanas, a verdade é que estes terrenos proporcionam imensos momentos de aprendizagem individual, grupal por estar aqui com mais dois colegas meus a formar bem como todo o trabalho com a comunidade local de docentes e alunos, e também ao nível social.

Destacaria dois: individual e social. Considero que as pessoas saem beneficiadas quando conseguem decidir e definir as suas prioridades. Talvez exista um momento constante ainda mais difícil que a decisão ou definição, a manutenção das mesmas. Pois pelo meio, existem tantos momentos que podem desviar essas mesmas prioridades e o caminho das mesmas que possuir o discernimento para avaliar se as prioridades se devem manter ou alterar são tarefas dificílimas.

(Com)Viver nestes meios de pobreza, diferenças culturais, prioridades distintas, sorrisos por muito menos, focos de vida diferente traz a capacidade de nos equilibrar novamente.

Ontem, decidi não negociar meticais…preferi deixá-los a pensar que me ganharam na negociação. Eu fiquei a pensar que os ajudei em deixar mais uns meticais. Para terminar, deixei alguma roupa minha. Perspectivas de vida diferente! Até porque alguns meticais em locais onde num raio de dezenas de kms não há uma ‘alma viva’…do que serve ter dinheiro se não há onde trocar por roupa?



quarta-feira, 4 de maio de 2011

Formação em Inhambane

Alguns dias aqui e veio a primeira formação! Até agora tinha sido apenas a preparação de outras acções para a comunidade, onde andei a conversar e a negociar com as entidades pequenas acções de animação para se terminar numa bem grande e com algum impacto para Inhambane.


De facto não é fácil movermos e alterarmos as barreiras, os 'muros' e concretizar algo, mas com bastante força de vontade...vamos lá! Pequenos passos...para resultados construtivos, esperemos!

Destaco apenas que ontem fui impedido de falar com a comandante da Polícia porque ia de calções...


segunda-feira, 2 de maio de 2011

Um olhar sobre Inhambane (Moçambique)

Novamente na apologia que as viagens fazem-nos crescer. E muito! Umas pelas adversidades que criam, outras pelas boas experiências. Boas ou más, é o que se consegue reter das mesmas, o que se aprende e o que retiramos. Já algumas (e boas) pessoas me tinham dito. Mais uma vez fiz bem em acreditar nelas.


Desta vez por Inhambane (Moçambique). Quase dois dias inteiros para chegar aqui. Quase onze horas num avião. Uma viagem atripulada de carro para Maputo, uma noite a andar por bairros menos afortunados, a pé pela cidade. Next day! Ida para Inhambane e ao fim de 30 kms lá se foi o carro. Umas boas horas a aguardar por outro. Mais umas 7 horas de carro e chegámos!


Mas tudo isto, cansaço e adversidade, é convertido em aprendizagem. Pessoas diferentes. Contextos de vida diferentes. Piores numa primeira abordagem, mas depois compreende-se que muito se reverte para a subjectividade. Um sorriso em troca de um balão. Alegria dentro da lama, nas casas de palha, os contrastes que fazem deste País um dos mais pobres do mundo.


Desejoso das primeiras formações para aprender muito, espero eu! Quando fiz os meus primeiros trabalhos em projectos de reinserção social pela UPAJE aprendi algo...todos nós precisamos de reinserção social. Uns porque são materialmente pobres e precisam de algo....outros porque são emocional, social e posicionalmente menos afortunados. Aqui vamos nós... sendo que a primeira experiência foi a brincadeira com balões com estes dois 'senhores'! Muito nos rimos :)