Coach do Coach

Os melhores profissionais e as melhores equipas têm um denominador comum: serem peritos nas competências intra e inter que perfazem as relações interpessoais entre todos os objectivos, as ferramentas e os meios. (Rui Lança)

quarta-feira, 27 de julho de 2011

História do livro sobre equipas de elevado desempenho

Também no blog da Colectividade Desportiva...

Há uns meses decidi juntar uma série de variáveis e começar a escrever um livro sobre equipas de elevado desempenho. Juntar experiências profissionais como colaborador dos vários locais onde já trabalhei, chefia noutros projectos que dirigi, formador, coach de empresas e equipas desportivas, facilitador no Conselho Europeu para a formação, e por fim, uma carreira amadora como desportista.

Após algumas conversas, decidi que o livro deveria ter experiências contadas na primeira pessoa por quem gere, lidera e faz parte de equipas. Equipas transversais aos diversos mercados, áreas e desportos. Tentou abranger a visão e experiência de pessoas que estão à frente de uma organização com mais de 2 000 colaboradores, bem como a pessoa que lidera uma das melhores orquestras mundias, ou uma Fundação Calouste Gulbenkian ou ainda treinadores, entre eles, o que lidera uma selecção de futebol que possui no seu elenco jogadores como Ronaldo, Nani, Coentrão, Moutinho, etc.

Não foi nas pessoas em si que foquei a atenção, mas na forma como essa pessoa gere e lidera e se relaciona com os seus colaboradores, colegas, atletas, superiores, etc. O que pode ser interessante para um blog sobre desporto é verificar o que as pessoas das organizações desportivas e treinadores em si defendem o que pode ser fulcral para se conseguir equipas de elevado desempenho.

A grande maioria dos treinadores (atenção que foram apenas abordados apenas treinadores de desportos colectivos) e um administrador da SAD de um dos ‘grandes’ do Futebol, dão muito ênfase a três factores quando se aborda os processos de grupo em equipas que eles treinam ou fazem parte da Administração:

- Compromisso colectivo de qualquer elemento que integre uma equipa, ou seja, não há qualquer hipótese de um objectivo individual estar acima do objectivo colectivo. E todos têm de o assumir como seu.
- Regras claras e muito simples, tão claras que não haja qualquer dúvida de intrepertação e tão simples quanto a forma de a colocar em prática para todos. Regras que possibilitem consequências directas e justas.
- Por último, não confundir deveres, direitos e papéis dos atletas e ainda, um ponto unânime, justiça “fair but not equal”, acrescento eu.

Ainda no desporto, comparando alguns dados de estudos mundiais com aquilo que foi referido pelas seis pessoas da área desportiva, o que se entende por equipas de elevado desempenho são as equipas que conseguem fazer perdurar os seus desempenhos por algum tempo (não determinado), conseguem com bastante regularidade superar as expectativas e possuem determinados processos de grupo, entre eles:

- Partilha dos modelos mentais, conseguir ‘adivinhar’ o que os outros podem pensar
- Todos têm regras e responsabilidades claras
- Optimizam recursos aprendendo e adaptando-se
- Visão clara e partilhada por todos
- Encaixam num ciclo de disciplina de preparação – desempenho – reflexão
- Têm uma forte liderança colectiva
- Desenvolvem um forte sentimento colectivo e de confiança
- Gerem e optimizam os resultados
- Cooperam e coordenam

Aparentemente, todos nós conseguimos contextualizar e verificar que estes processos de grupo e características de equipas com elevados desempenhos estão ou devem estar presentes nas organizações empresariais, federações ou alguns clubes. Até porque a grande maioria das características aqui referidas estão dependentes das pessoas e das relações humanas que se criam e não apenas de recursos dispendiosos ou ferramentas não acessíveis a todos.

Diria eu que seria interessante verificar quais os mecanismos apenas processuais (não falo de receitas operacionais ou extraordinárias, de apoios estatais, etc.) que os grupos de trabalho nas diversas federações possuem para conseguirem relacionar alguns bons resultados (ou nem tanto) com as ferramentas de gestão e liderança dos seus grupos de trabalho. E não falo das equipas desportivas propriamente ditas, mas sim de todo o pessoal de apoio, logístico técnico, administrativo, etc…

domingo, 24 de julho de 2011

Livros que recomendo

Durante o processo de escrita do livro sobre equipas de elevado desempenho, voltei a ler alguns livros que andavam por casa, comprei diversos e li pela primeira vez uns que se encontravam na prateleira à espera da sua vez...

José Mourinho expressou algo que já muitos defendiam, para se perceber sobre um determinado assunto, temos de perceber de muito mais que 'apenas' esse assunto.

Para se escrever ou tentar-se escrever sobre equipas, tive de tentar entender sobre muito mais coisas que apenas equipas. Daí ter lido sobre temáticas muito interessantes que me fizeram ver de forma diferente coisas que dava por mim mais asseguradas desta ou daquela forma. Alguns livros que recomendo após (quase) o término do meu.


. Blanchard, K. (2010). Um nível superior de liderança – 3.ª edição da 'Actual'. Dá para a vertente empresarial e desportiva

. Collins, J. & Porras, J. (2007). De Excelente a Líder da 'Casa das Letras'. Mais a vertente empresarial, embora a mensagem forte seja transversal.

. Covey, S. (2004). The 7 habits of highly effective people da 'Simon & Schuster'. Este é...da vida.


. Kinicki, A. & Kreitner, R. (2006). Comportamento Organizacional – 2.ª edição da 'McGraw-Hill' em brasileiro. Mais empresarial, mas com imensos exemplos.

. Lazenby, R. (2007). Mindgames – Phil Jackson’s long strange journey da 'Bison Books'. Para quem gosta dos meandros dos balneários e dos jogos psi que se fazem nas equipas ao mais alto nível, este é dos melhores.

. Miguel, A.; Rocha, A. & Rohrich, O. (2008). Gestão emocional de equipas da 'Lidel'. Dos meus amigos e conhecidos Oliver e Ana, recomendo porque o livro consegue ser simplesmente bom na forma como transmite as práticas a executar.

. Skiffington, S. & Zeus, P. (2000). Coaching at work da 'McGraw-Hill'. Para quem gosta de coaching e os conhece...sabe que se tratam dos melhores autores nestas variantes. Muito transversal.

Existem muitos outros, do meu amigo Jorge Araújo onde a vertente desportiva/organizacional me fascina bastante, um livro que deixei algumas dicas de Soriano quando geria o FC Barcelona e outros livros de gestão como o do Jack Welch. Enjoy...

terça-feira, 19 de julho de 2011

Alta Competição – Indivíduos vs Equipas

Alta Competição – Indivíduos vs Equipas por Ricardo Andorinho.

Esta histórica resulta de uma conversa que tive o prazer de levar a cabo com um dos maiores responsáveis pelo atletismo português: o Professor Jorge Vieira.

Lembro-me na altura depois de estarmos a falar sobre o desporto nacional de referir verbalmente que não existem desportos colectivos. Uma afirmação sem dúvida extrema e que carece de alguma forma de argumentação, validade científica e experienciada. Coloca em causa algo tão extraordinário mas de difícil avaliação que é o resultado das sinergias e relacionamentos entre os diversos nembros de uma equipa. O sentido que quero dar à afirmação anterior esta subjacente ao conceito de competitividade individual. Depois de ter verbalizado estas palavras, passei algum tempo, em pensamento crítico, sobre esta frase extremista. A conclusão a que chego é que esta frase se encontra muito perto de ser verdade e é validada por alguns estudos. O tal instinto de sobrevivência que o ser humano possui revela-se neste tipo de ambientes, sempre com maior probabilidade de manifestação quando os resultados são negativos, existe fraca liderança, falta de compromisso individual para com os objectivos do grupo, ou a existência clara de sub grupos ou sub culturas organizacionais.

Pense nos bons desportista que conhece, pratiquem eles desportos colectivos ou individuais, em qualquer modalidade.

Todos podemos concordar que todos eles são excelentes atletas (técnicamente, tácticamente, preparação física, comportamentos, relacionamentos competitivos, etc)?

Pense agora numa equipa excelente. Consegue identificar atletas, players ou colaboradores que não sejam muito bons, pelo menos tecnicamente? É difícil encontrarmos um que seja mau, numa equipa competitiva, não é?

Repare que não estou a dizer que equipas teoricamente mais fracas não consigam resultados surpreendentes ou extraordinários, que são explicados, maioritariamente pelos aspectos mais intangíveis do comportamento como são a motivação individual ou colectiva, a vontade de superação, o desafio competitivo, etc.

Por outro lado, o atleta que não seja competitivo individulamente, jamais chegará a pertencer a uma equipa de elite.

Em ambientes desportivos, nos quais tive o privilégio de estar embrenhado de alma e coração validei ao longo dos anos que os individuos em situações extremas de compettitividade organizational tomam decisões, na sua maiorira individualistas ao ponto de colocarem em risco a subsistência e até sobrevivência das equipas. Na empresa os comportamentos são exactamente os mesmos. Em alturas de stress, pressāo interna e confronto entre interesses económicos organizacionais, resultados operacionais, avaliação de desempenho e interesses pessoais, a esmagadora maioria das decisões tem como objectivo Salvar a pele.

Em 99% das compras empresariais, o que está em jogo é “salvar a pele” – The BuyerSphere Project Este estudo tem como amostra o mercado B2B mas a essência, é a mesma. Não são as empresas ou as marcas que tomam decisões. São pessoas como eu e você, em nome das marcas, portanto sujeitas às mesmas pressões sociais. Como humanos, em situações de risco (más decisões) tendemos a concentrar esforços na “nossa parte”, única que controlamos e que conseguimos afectar directamente. Se EU não sou atacável pelo meu trabalho, tudo bem… mesmo que o meu trabalho, da forma como o estou a levar a cabo influencie negativamente o trabalho dos meus colegas de equipa. Estamos a falar de 99% das decisões e não de 70% ou até 80%…

De referir que para além dos aspectos mais objectivos e tangíveis, indicadores de processos e resultados, existe também a parte técnica e é do equilíbrio entre a área técnica e comportamental que nascem e se desenvolvem grandes personalidades e equipas de trabalho do mundo do desporto e da gestão.

Gostava de ter as vossas opiniões em relação às vossas vidas profissionais.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

High level teams

Two months ago I spoke with a colleague about high performance teams. I told him about my interest to discover how some teams can achieve income and much higher performance and longer. And more amazing still, achieve different performances towards distinct contexts or leaders of these groups of people.


And he asked me "You should try to understand why?"

Can you help me? Maybe it's a matter of:

- Leadership;
- Vision of the team;
- Total commitment;
- Perfect alignment of individual and collective goals;
- Others…
- ???

quarta-feira, 13 de julho de 2011

MIT...Team Building and Communicational Impact

Alguns dos slides utilizados na formação no MIT no ISCTE.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Benfica e Futebol - Um desconto por favor!

Falar de futebol nesta altura da época desportiva é falar do pouco que se pode ver e falar muito do que pretendem que se fale. A informação, muita e falsa que vamos lendo ou ouvindo é feita com base em possíveis verdades e muita especulação.

Fazer qualquer previsão com o que se vê pode ser prematuro, mas a verdade é que época após época os erros repetem-se e aí, já não é falar-se de especulação mas é falar da ausência de princípios de gestão desportiva.

Observar o Benfica no 2.º jogo da pré-época, independentemente do resultado, é quase como ter um pequeno pesadelo. A algumas semanas de iniciar a época logo com dois jogos que podem decidir e muito 2011/12 e verificar que da defesa que tem jogado e treinado, não estão lá os potenciais titulares. E se existem dois que estão e já sabíamos que iam estar na Copa América, verificar que Fábio Coentrão foi vendido - e já se sabia que ia ser vendido quase desde do início da época passada – e ainda andamos a ver qual será o melhor reforço ou então o discurso dos jogos de paciência para ver se conseguimos adquirir este ou aquele jogador por um preço menor…é um preço que não tem saído barato nas últimas épocas.

Muita aquisição, jogadores que regressaram com esperança mas que não irão ficar com quase toda a certeza, era preferível treinar um plantel mais curto e fomentar a coesão do que andar a dispersar em tiros para o lado.

Jorge Jesus tenta fazer o seu melhor e acredito na sua competência. Mas…a época começou agora no papel, porque na prática já devia estar a ser preparada há muito tempo! Meses ou um ano! Jogadores que podem chegar e que acrescentem talento, sim senhor. Mas…a equipa é mais do que talento, é coesão, cooperação, compromisso, muito mais, mas sempre com muita organização!

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Como chegaram ao Coach do Coach? E porquê?

Quase nas 43 000 mil visitas deste que comecei a contabilizar (11 de Fevereiro de 2010), verifico que vocês (desde já o meu muito obrigado) chegam por diversos caminhos ou com distintas motivações. Se puderem contribuir para melhor vos 'conhecer', muito obrigado.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Como alinhar os objectivos individuais nos colectivos?

Como devemos alinhar os objectivos dos colaboradores na organização? Os objectivos dos atletas nos objectivos do treinador e da equipa?


segunda-feira, 4 de julho de 2011

Os amigos e o livro

O livro que estou a escrever é diferente dos outros. Não falo somente da temática, mas acima de tudo...de tudo! O processo de concepção, gravidez e gestação tem sido distinto.
É um livro sobre algo que todos nós vivemos e convivemos. Uns de forma voluntária, outros impostos, outros conscientes e uns inconscientes. Mas todos andamos metidos. Falo de equipas, grupos, emoções, sentimentos, bússolas que nos guiam em projectos, sejam eles profissionais, sociais ou pessoais.

São sentimentos, conhecimentos, técnicas, emoções, experiências minhas, mas que não as vivenciei sozinho. Vivi com pessoas. Uns amigos, outros colegas de escola, faculdade, trabalho, cursos, viagens, formações, equipas desportivas, miúdos, aulas, alunos...é um conjunto de experiências e, acima de tudo, mensagens em que acredito. Percebi que muito do que está lá...faz de mim apenas um mensageiro e alguém que gosta e pretende descortinar o que acontece, mas o que acontece é fruto de dinâmicas voluntárias ou involuntárias por que passamos todos os dias. E passamos com uns os outros.

Acredito que a equipa deve ser maior que a soma de todas as individualidades, mas que aquilo que somos é uma soma de muitas experiências que vivemos e que bebemos dos outros e das vivências da vida.
Não tem lógica falar de um conjunto de pessoas num patamar exigente, profissional ou não, talentoso, de desempenho, sem abordar a aprendizagem que temos uns com os outros e o que somos de ter aprendido uns com os outros, porque na base da interligação estão processos básicos das relações humanas.
Esta é uma ideia que tenho quase sempre que começo a teclar sobre este tema. De onde surgiu esta ideia? Onde me lembro de a ter vivido a primeira vez e com quem a vivenciei.
É em tudo diferente...não é melhor nem pior, diferente. Mas muito mais rico!

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Onde está a confiança?



Muitas empresas apontam o factor confiança como o mais importante nas equipas de elevado desempenho ou para se chegar a esse patamar. Sendo discutível, parece-nos que a confiança é um estado que demora algum tempo a conseguir-se.


Nunca de um dia para o outro, mesmo que existam algumas técnicas para acelerar como uma das técnicas que há uma década era utilizada pedindo às pessoas para caírem de costas de cima de uma mesa para os braços de colegas seus que o esperavam para agarrar.


Hoje, com outro tipo de dinâmicas, mais lúdicas, com maior impacto, a verdade mantêm-se: acelera-se mas o processo de confiança é bem mais do que isso. E é dificultada por exemplo há medida que o número de elementos na equipa vai aumentando, dado que a confiança relaciona o compromisso, respeito, dedicação e outras mais competências ou atitudes que torna a combinação num exercício de grande complexidade.


Soriano ex-Vice-presidente durante cinco anos do FC Barcelona e actual presidente da Spainair também defende que o carisma não é qualidade imprescindível para alguém que queira liderar um grupo, sendo no entanto útil na altura de ganhar a liderança do mesmo ou nos momentos de maior dificuldade, quando é necessário obter a confiança do grupo a fim de importar decisões difíceis ou duras.