Coach do Coach

Os melhores profissionais e as melhores equipas têm um denominador comum: serem peritos nas competências intra e inter que perfazem as relações interpessoais entre todos os objectivos, as ferramentas e os meios. (Rui Lança)

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Qual o perfil do treinador super-herói? - II

Os maiores também caem. E gostam muito menos de cair do os comuns dos mortais! Istro a propósito do falhanço desta época de José Mourinho no Chelsea. Não se trata das razões para tal, mas sim…a constatação, que seja qual for a razão, às vezes também vão ao tapete. Na verdade, vamos sendo lembrados que não existem treinadores ideais, muito menos um perfil único de treinador. O tipo ‘super-homem’ que sabe tudo e nada o perturba. Não passa de um modelo ou produto imaginário criado e alimentado por alguns agentes desportivos e sociais.

Ainda se mantêm algumas ideias muito cimentadas que alguns treinadores ganham tudo e em todo o lado. Que alguns líderes dariam cartas em diversos locais. Uma certa ideia que ganhariam com várias equipas. E com quaisquer atletas independentemente dos seus contextos e adversários.

Errado! O treinador ideal para tudo não existe. Também não existem os líderes para tudo e qualquer coisa. Existem um conjunto de comportamentos e características intra e interpessoais que aumentam a capacidade da pessoa que lidera atingir com mais eficácia os objectivos (seus e os colectivos).


O treinador sobrevive pelos resultados, por isso, raramente um treinador que atinge resultados é afastado (raríssimos mesmo). Pode duvidar-se do seu valor, contestar-se métodos e a sua própria liderança, mas ele respira e vive dos resultados. Outros – por muita qualidade que queiramos atribuir-lhe – não sobrevivem à falta de resultados e são afastados. Quem os afasta não liga muito ao contexto, adversários, especificidades individuais da equipa. Sai e pronto.

Há uma certa corrente ideológica que coloca nos píncaros alguns treinadores. Poucos analisam as condições em que os mesmos concretizam as suas vitórias. Na verdade ganham mais aqueles que têm melhores condições dos que têm menos condições. Aos que têm muitas condições e perdem chamamos-lhes incompetentes. Por alguma razão lhes chamamos surpresas aos que não se esperava ganhar.
 
O treinador ideal para tudo não existe. Mas ele próprio gostaria que existisse. Numa certa fase de afirmação, os treinadores gostariam que pudessem vencer em muitos contextos. O super-treinador e o contexto significam que possuem todas as competências necessárias. E que nas mesmas são eficientes. Que há um grande equilíbrio pela positiva no que diz respeito às competências técnicas na tarefa de treinar e nas capacidades comportamentais tais como escuta activa, liderança, dar feedback, empatia, liderança, etc.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Mourinho...porquê?

Ouve-se de tudo. E é normal. Um dos temas mais mediáticos e um dos acontecimentos mais importantes dentro de algo já por si só vende muito.


Se quisermos ser muito específicos, José Mourinho sai do Chelsea e de um clube que existe actualmente para vencer, porque não vence. E não vence porque...marca menos golos que os adversários. O que interessa então não é apenas a razão, é o processo para se entender porque Mourinho e Chelsea, ao contrário do ano anterior, perde mais e muitas vezes. Ao contrário do que é habitual nas lideranças de José Mourinho e que foi conseguido na época passada, este ano é visível uma falta de compromisso dos jogadores. Não sei se de todos, mas de alguns e bem importantes é visível, como o caso de Hazard. A mensagem não passou este ano e provavelmente o método tão cativante e empático para alguns jogadores, não foi atraente e aqui, goste-se ou não, o treinador é sempre aquele que tem de procurar o melhor modo de comunicar.

Mourinho, através do tal compromisso, dá muito de si em termos relacionais aos jogadores, mas também exige muito. E alguns jogadores não se desligam dos objectivos individuais em detrimento de se 'darem' ao treinador, existindo de modo muito rápido uma saturação.

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

O que vale (e de que vale) um jogador autónomo?

A palavra autonomia ou a expressão 'ser autónomo' é normal ou naturalmente utilizada no nosso dia-a-dia. Do ponto de vista mais científico, encontramos várias referências sobre o espaço que a autonomia ocupa no campo das ciências humanas, nas equipas e no que as pessoas sentem quando são designadas como pessoas com maior propensão para serem ou quererem ser autónomas. Mas, há quase sempre um mas, não encontramos muita informação sobre o que uma pessoa autonomia faz e como se treina para ela ser ou querer mais a autonomia. Sabemos acima de tudo duas coisas: o que sentem as pessoas autónomas e comportamentos facilitadores e castradores por parte da liderança que ajudam ou inibem a autonomia.

De acordo com a teoria da autodeterminação, a autonomia facilita o preenchimento de uma das necessidades básicas da saúde psicológica de um indivíduo e fazem-no sentir que as suas ações vão ao encontro daquilo que são os seus valores e convições em direção dos seus objetivos que refletem caraterísticas pessoais. Ajuda ainda a criar jogadores inteligentes com a capacidade de lidar com o espaço à sua volta e os constrangimentos das tarefas. Atletas mais 'auto'. Auto-motivados intrinsecamente, auto-organizados, auto-responsabilizadores e a palavra autonomia vem ligada a expressões ou acções como proactividade, empreendedorismo, tomada de decisão, propenso a assumir decisões.

As organizações, as equipas procuram pessoas autónomas. Mas pode ser uma equipa de 5, 7 ou 11 constituída somente com jogadores autónomos? Qual a liderança e as dificuldades de uma liderança para este cenário? E o que faz um jogador autónomo em termos de acções de jogo que outro com menor propensão ou que se nega a assumir autonomia não faz? E existem posições do campo que devem ser ocupadas por jogadores com maior propensão para serem autónomos?