Coach do Coach

Os melhores profissionais e as melhores equipas têm um denominador comum: serem peritos nas competências intra e inter que perfazem as relações interpessoais entre todos os objectivos, as ferramentas e os meios. (Rui Lança)

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Existe em nós um dom de desorganização?

Individualmente acredito que existam algumas pessoas que sejam 'genuinamente' organizadas. Quer física quer mentalmente, que as coisas lhes pareçam ter lógica apenas assim. Colectivamente, temos um dom. O de sem fazer grande ou qualquer esforço, as ideias, projectos, trabalhos, tarefas ficarem muito rapidamente desorganizadas e atropelarem-se umas às outras. Não são precisas estratégias ou muito gasto calórico para que as coisas caiam no esquecimento ou na falta de partilha. Na má qualidade como as prioridades que deixam de o ser para terem de esperar a sua vez em troca de uma tarefa qualquer insignificante. Provavelmente, isto só acontece porque existirão (muitas?) mais pessoas desorganizadas que organizadas. Mas o fenómeno colectivo é quase como assistir a um qualquer acontecimento da natureza…basta sentar-nos e vermos um grupo a tentar trabalhar. Não é preciso esperar muito para verificarmos que a desorganização colectiva é um acontecimento em catadupa...

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Crónica no Desporto da Sapo_Como construir e destruir? Bons exemplos no Sporting e Paços de Ferreira

Nada está ganho nem perdido, mas a forma como se ganha e se perde, já nos dá umas pistas!

É verdade que quer o Sporting quer o Paços de Ferreira não ganharam nem perderam nada. Trata-se de seis pontos e dois jogos e ainda vamos na 2ª jornada. Mas observar as distintas abordagens pode ser um bom exercício para quem quer perceber um pouco mais de dinâmicas de equipas. 
 
Um Sporting mais alinhado e unido. Não foco abordagens táticas, mas percebe-se que estão mais juntos nos lances, ganham mais ressaltos, festejam mais quando marcam, comunicam e dão mais feedback positivo. Há uma pessoa – introvertida e low profile – que comunica calmamente durante os jogos e que, tal como referi na última rúbrica, pode ter um problema chamado Bruno Carvalho no banco quando as coisas correrem menos bem dentro de campo. Mas até lá, vai havendo tempo para crescer.

Ao nível de dinâmicas de equipas e visão, a sua construção foi correta. Para crescer recrutou um conjunto de jogadores – interna e externamente – que querem aproveitar a subida do clube para subirem também. Ao contrário da época anterior, onde um conjunto de atletas supostamente com uma carreira mais solidificada, não se identificava com os maus resultados e não sentia como sua aquela luta. 
 
Ainda é cedo, nove golos são nove golos, mas é o processo que se destaca mais. Por muito que seja difícil não destacar os resultados.

Por outro lado temos a desconstrução e destruição de uma visão no Paços de Ferreira. Uma equipa que para esta época se reuniu à volta de uma visão que iria (e irá) durar apenas dois jogos na Liga dos Campeões. Uma mentalização coletiva e individual que se foca naquilo que não é o seu mundo. Uma surpresa é uma surpresa e para se tornar regular, há que solidificar processos. Nem o treinador Costinha está alinhado com o clube nem com o seu processo de estabilização. Não se trata de criticar a pessoa, mas sim, destacar que o crescimento ao nível de liderança se faz com dois pilares do treinador: identificação e superação. E Costinha até poderia cumprir na segunda. Mas nem isso. Carlos Barbosa e Carlos Carneiro não acertaram para já, vamos aguardar!

Por último, a vitória do Benfica. Não se passa a ser besta nem bestial com vitórias aos 92’. Jorge Jesus sofreu no ano passado esse descrédito. Perder nos descontos, destrói muito a confiança. Ganhar, pode ajudar a crescer o grupo e a união, especialmente quando aparentemente não há muita…

Próxima sexta-feira, supertaça europeia: duas equipas com um upgrade de construção, dois grandes treinadores de enormes construções. José Mourinho e Pep Guardiola!

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Crónicas no Sapo Desporto

A semana passada começou a minha colaboração no Sapo Desporto. Hoje saiu a 2ª crónica. Aqui vai o link e o texto!

"Falar da primeira jornada é abordar acontecimentos previsíveis. Infelizmente para Jorge Jesus, depois de uma pré-época estranha a vários níveis, o primeiro jogo oficial foi mais do mesmo: mais uma primeira jornada sem vencer e o arrastar de uma equipa sem capacidade de reação, cansada e desalinhada.

Previsível porque a pré-época trouxe um Benfica confuso em termos táticos e organizacionais como o caso muito mal gerido de Cardozo, Matic ser o jogador com mais minutos mas assumido por Jorge Jesus como muito difícil de manter no plantel na má entrevista realizada por um Administrador da SAD ao treinador do ponto de vista estratégico. 
 
Fruto da preocupação que provavelmente passará na sua cabeça, o que se viu no banco benfiquista na Madeira foi um treinador cabisbaixo, triste e preocupado. Saberá que terá pouca margem de manobra para esta nova época e que sem a equipa do seu lado, pouco mais conseguirá fazer. E até que provem o contrário, a questão mantêm-se: manterão os jogadores respeito e aceitação da sua liderança após tantos desaires e situações mal geridas?

Dia 31 de Agosto e os primeiros dias de Setembro serão marcos importantes a vários níveis para o treinador: data do jogo com o Sporting em Alvalade e perceber quem sai e se entrará ainda mais alguém. A partir daí poderá ter maior tranquilidade…ou não.
Alvalade, onde se viveu um passo importante. Três pontos são três pontos, mas para Leonardo Jardim é muito importante colocar confiança num plantel jovem e pequeno.

Terá a grande vantagem de durante a época ter apenas a Liga e os jogos das Taças internas, possibilitando preparar a equipa em termos táticos e comportamentais com mais tempo. Mais tempo que só será passado com tranquilidade se vierem de vitórias.
Curiosidade para perceber como irá Jardim conviver com o seu lado mais introvertido e ter um Presidente no ‘seu’ banco de suplentes mais interventivo quando as coisas correrem menos como o esperado.

Destaque ainda para as excelentes entradas e confirmações de Marco Silva, Nuno Espírito Santo e Rui Vitória. Capacidade para conseguirem um equilíbrio coletivo e a capacidade de construírem novas equipas. Paulo Fonseca, o dilema de saber gerir os intensos duelos internos com a ajuda da SAD portista e a má entrada de Costinha. Saberá gerir as emoções e expectativas criadas?

Por último, para a lágrima quase deixada cair por José Mourinho no seu regresso a Londres. Genuína? Sentida? Ensaiada? Nestes mindgames vale de tudo, mesmo que seja genuíno."

domingo, 11 de agosto de 2013

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Está quase o novo livro!

Este livro pretende ser uma ferramenta para todos os treinadores que queiram desconstruir a sua função e analisar vários pontos que considerei serem pilares importantíssimos para as suas tarefas. Ferramentas relacionadas com o seu conhecimento, com a sua personalidade, a forma de estar e o saber agir. E principalmente, com dois pontos essenciais e que não são fáceis de encontrar nas pessoas: saberem onde querem chegar e o que estão dispostos para o atingirem.

Um livro que balizará comportamentos fundamentais como o impacto comunicacional com os atletas, equipa técnica e consigo próprio. Como lidera e que retorno atinge sempre que o faz. Indicadores para avaliar um conjunto de acções que diariamente um treinador realiza, mas não sabe realmente o que valem. A importância de motivar, elevar a exigência, dar feedback, gerir as suas emoções e de quem o rodeia. E como consegue comprometer todos nos seus objectivos e nos objectivos colectivos. Não é apenas sobre a importância destes pontos, mas também, formas de os treinar. Treinar-se a si próprio ou ter um treinador que o observa, dá feedback, questiona, desafia-o a melhorar, ver os pontos de forma diferente! Inquietar…

Tal como não há líder sem equipa, esta necessita de um bom treinador. Para alcançar os resultados e os processos de grupo a que se propõe. E porque há equipas e equipas, dei especial atenção àquelas que funcionam melhor. Que atingem elevados desempenhos. Que dominam e são peritas em passos simples, mas que todos juntos, como os elementos de uma equipa, constituem um grande passo interligado. A equipa é claramente o elemento mais poderoso na prossecução de resultados. Na sua procura.

Na inteligência emocional e colectiva, na partilha de boas práticas, no fomento à flexibilidade cognitiva, na cooperação, na aprendizagem e na predisposição interpessoal. É preciso trabalhar os vários pilares que sustentam uma equipa. Entre eles o comportamental, que consegue potenciar a autonomia e a eficiência do verdadeiro saber agir. No indivíduo e no grupo! Para tal, contei com o especial contributo de treinadores de grande qualidade e que demonstraram total abertura para elevar a fasquia deste objectivo desafiante que é acrescentar mais valor. Um muito obrigado

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Saiu-me isto...

Se não sabemos exactamente o porquê das coisas que nos mandam fazer, colectivamente, não se instala o poder da persuasão daqueles que entendem e vão ajudando outros a entender.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Pós formação

Usualmente tenho três objectivos para uma formação. Mesmo que seja apenas uma 'oportunidade' de estar uma hora. Que as pessoas gostem de estar 'ali', avaliem como um tempo bem passado. Divertido. Benéfico.

Outro é que percebam que quando falamos das áreas mais comportamentais, falamos de ferramentas e não de receitas certas. Pelos constantes exemplos que ouço diariamente, às vezes até custa acreditar que algumas ferramentas possam ser mesmo utilizadas. O outro é que as pessoas consigam sair dali a saber menos, pela descoberta de algo que os faz começar do zero ou ficar com a sensação que há tanta coisa que não se sabe. E nem desconfiamos.

A parte gira é que eu também me encaixo nessas pessoas. Gosto de me divertir na formação, consolidar que se tratam de ferramentas e não de receitas, e pelo convívio e partilha que se cria, também aprendo com as pessoas e trago sempre algo de novo para pesquisar!

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Aqui está o texto sobre 'Quem treina o treinador?'

Aqui está o texto sobre 'Quem treina o treinador?'

O treinador durante um treino gesticula, fala individual ou colectivamente com os atletas, pára o treino, entra ou permanece no recinto de competição, retoma o treino, senta-se, levanta-se, passa área de jogo e comunica para que todos o ouçam. Muitas das vezes num ambiente quase em silêncio!

Para lá destas acções do treinador, temos assistido a ...
uma evolução fantástica no treino desportivo e no conjunto de ferramentas que fornecem informações sobre os atletas e a equipa adversária. Metodologias, suportes tecnológicos, informáticos e psicológicos, mas estranhamente, quase todas elas direccionados para o atleta.

Afirmamos estranhamente, porque crescem o número de funções e exigências para um treinador, mas tal processo não tem sido acompanhado de mais e melhores ferramentas focadas em si. Hoje um treinador antes, durante e após o jogo tem um manancial de informação, relatórios, análises, mas isso não melhora obrigatoriamente o seu desempenho na relação com os atletas. A sua comunicação com os vários elementos em jogo. Na forma como gera a tomada de decisão e as emoções. As suas e dos seus atletas.

O treinador é analisado cada vez mais na forma como atinge os seus resultados. Como lidera, decide, comunica, gere. Obriga-o a melhorar um conjunto de competências como a forma de motivar, comunicar, liderar, decidir, reconhecer os seus atletas e equipas. Se o saber agir do treinador influencia em muito, não só as relações do treinador e atleta, mas também aquilo que os jogadores são capazes de interpretar e executar, não deve ser este um ponto fundamental para que o treinador treine e melhore? Mais uma vez, estranhamente a grande maioria das abordagens das relações treinador / atleta centram-se nos problemas de carácter psicológico revelados pelos atletas e esquecemo-nos que o treinador exige igual análise. A menos que se considere que o treinador está apto para todas as exigências relacionais e de liderança!

Não existe um perfil único nem ideal de treinador. Tipo super-herói que sabe tudo e não se incomoda com nada. Existem sim comportamentos e características que aumentam a capacidade do treinador atingir com mais eficácia os seus objectivos. Umas são as ferramentas relacionadas com a sua experiência, conhecimento técnico, táctico, outras são ferramentas focadas na sua tomada de decisão, comunicação, gestão, liderança, justiça e compromisso.

Terá lógica que estas competências que tanto influenciam o seu desempenho e dos atletas estejam dependentes da sua capacidade de distanciar-se e auto-análise? Não está em causa a vontade do treinador querer melhorar. Está na forma! É possível constatarmos inúmeros treinadores que cada vez mais se diferenciam para lá do conhecimento que têm do jogo. Pelas competências comportamentais que conseguem aplicar em si e nos que o rodeiam. E tal como para um atleta, que por muito forte física ou tecnicamente que seja, precisa de trabalhar arduamente, também um treinador precisa de treinar e ser treinado muito arduamente.

Espero que gostem. Ou haja críticas. Feedback!