Coach do Coach

Os melhores profissionais e as melhores equipas têm um denominador comum: serem peritos nas competências intra e inter que perfazem as relações interpessoais entre todos os objectivos, as ferramentas e os meios. (Rui Lança)

segunda-feira, 28 de março de 2016

Estrutura vs treinador (parte II): o que esperar deste Benfica, e um Porto mais eficiente

Segunda parte do meu artigo no site Mais Futebol sobre a importância e o impacto das estruturas e das lideranças. Uma discussão acima de tudo sobre pessoas e organizações, que pode ser realizada quer no âmbito empresarial quer noutro âmbito como o desportivo!



"Ainda sobre o tema São as estruturas que têm mais impacto na continuidade das vitórias dos clubes ou, pelo contrário, os treinadores os grandes diferenciadores pela positiva? – e no qual já chegámos a algumas conclusões, tendo claramente por adquirido que ninguém vence sozinho – as questões para uma segunda fase da discussão devem ser as seguintes:
  1. Qual o clube que melhor gere a continuidade do treinador?
  2. Quem gere melhor a substituição do líder e continua numa senda vitoriosa?
A sete jornadas do término do campeonato, o Benfica mantém-se no topo com uma pequena vantagem de dois pontos. Alinhando com a temática do artigo, podemos observar que o clube da Luz pode conquistar o quinto título nestas condições, ou seja, numa época posterior a um título de campeão nacional com outro treinador ao leme. Chamemos a estas épocas épocas de transição.
Dos 34 títulos até ao presente momento, 11,76 % das suas festas no Marquês surgiram na sequência de épocas de transição. Nestas situações, o FC Porto é claramente a equipa que melhor gere estas mudanças, tendo ocorrido quase todas nas duas últimas décadas. Dos 27 títulos de campeão nacional, a equipa do Norte conseguiu 18,51 % dos seus campeonatos em épocas de transição (continua...)"

terça-feira, 8 de março de 2016

A parte mental das equipas

As equipas desportivas produzem muito mais do que resultados desportivos ou tabelas classificativas. Produzem acções e muita informação fruto das dinâmicas que apresentam e que perfazem a sua identidade colectiva. Complexa e diferente da soma das identidades individuais dos seus atletas ou treinador. Nesta Liga as três equipas de futebol denominadas 'grandes' têm sido sem dúvida excelentes casos de estudo. Equipas que variaram muito as dinâmicas de jogo durante a época.

A questão que se pode fazer é: o que leva a esta variação por vezes tão grande de estados emocionais e com isso, de produtividade? Ou será o inverso?

Para quem não esteve atento aos sinais implícitos das equipas, há sempre sinais comportamentais e da dinâmica de grupo que denotam pequenos dados para consequências futuras a curto ou médio-prazo. Até por que uma derrota, por mais importante que seja, não causa o impacto a uma equipa que esteja estável nos vários pilares que perfazem uma dinâmica de grupo forte e equilibrada.

Uma equipa durante o planeamento da época, nos jogos e nas competições apresenta dezenas de processos comportamentais. Desde da inclusão de novos atletas ou dirigentes, do alinhamento de todos, responsabilização, compromisso colectivo, organização, comunicação, motivação, definição de tarefas e objectivos individuais e colectivos, etc. São vários os processos que é possível aferir durante um jogo e que contribuem em muito para o resultado do jogo ou da competição.

Também existem os direitos ‘adquiridos’ que a equipa assume quando os acontecimentos já estão pré-definidos na sua mente. Na sua identidade comportamental como um todo. Sem querer colocar em causa a qualidade dos elementos que compõem as equipas técnicas, existem alguns sinais importantes para o casamento perdurar:

- Estabilidade emocional adquirida e profunda, que não é curada com o tempo, mas sim com a alteração de alguns elementos que compõem a identidade da equipa;
- Medir exactamente o impacto da possível saída ou manutenção um a um na equipa;
- Uma higiene mental que está boa ou deturpada em função de uma ideia pré-fixa dos acontecimentos futuros.