Coach do Coach

Os melhores profissionais e as melhores equipas têm um denominador comum: serem peritos nas competências intra e inter que perfazem as relações interpessoais entre todos os objectivos, as ferramentas e os meios. (Rui Lança)

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Entrevista a Rui Lança ao WiCoach...

O Coach Rui Lança, autor de vários livros, formador e professor nas áreas da Liderança, Comunicação e Gestão de equipas está na Wicoach. Nesta entrevista fala sobre si e sobre aspetos, cada vez mais relevantes, no dia-a-dia do Treinador. A não perder!!

Quem é o Rui Lança e a sua ligação ao Futebol?
O Rui Lança é uma pessoa normal que tem diversos interesses, que adora descobrir o porquê e o como das coisas, ver as mesmas coisas com perspectivas diferentes, sou curioso, mais interessado do que interessante. E uma das áreas que me apaixona é o Futebol. A minha ligação é como ex-praticante, agora de um adepto, um investigador de matérias relacionadas também com o Futebol, consumo Futebol nos jornais, tv, net, ao vivo, nas relações interpessoais.
 
Como foi o seu percurso até a este momento?
Em termos profissionais desde de muito cedo quis fazer o que faço sem saber que esta profissão existia. Nasci e vivi muito perto do Jamor e por isso, entrar no ISEF era algo que me guiava. Licenciatura e Mestrado lá, sempre com muito desporto no meio, à volta, em tudo. Em 2002 tive uma experiência através do Conselho Europeu na Dinamarca e a partir daí a minha vida mudou. Descobri a educação não formal, a facilitação, coaching, lideranças diferentes, recebi e dei formação em muitos países europeus, Brasil, em África, EUA, e com isso, comecei a dedicar-me muito ao Coaching e Desenvolvimento de Competências. Quase sempre numa perspectiva de trabalhar em várias áreas empresariais e desportivas, para lá de lecionar no ensino superior. Hoje com cinco ou seis livros publicados e a tirar o doutoramento, não sei o dia de amanhã.
 
Como é que o Coaching entrou na sua vida?
Naquela experiência na Dinamarca em 2002 descobri um novo modo de estudar, trabalhar, relacionar, liderar, etc. Fui alimentando-me muito dessa procura de mais conhecimento nessas áreas. Em 2006 numa Pós-graduação em Liderança e Gestão de Pessoas, tive uma cadeira que era de coaching e a professora dessa cadeira aconselhou-me a estudar mais porque considerava que aquilo era a minha ‘cara’. Parece que acertou. Em 2007 tirei uma credenciação internacional de coaching e desde daí…faço coaching individual, formações, coaching de equipas, etc.
 
Para que os nossos treinadores tenham uma ideia mais concreta, poderia dizer-nos o que é o Processo de Coaching?
Um processo de coaching é complexo ser explicado em poucas palavras. Acima de tudo é um conjunto de passos e ferramentas utilizadas na procura do desenvolvimento ou conquista de competências mais comportamentais. Em nós ou no outro, sendo uma pessoa ou uma equipa. Aposta muito nas ações, objetivos, prioridades, passos, compromisso, auto-responsabilidade, etc. E depois cada caso é um caso. Eu faço com alguns treinadores, atletas, equipas.
 
De que forma o processo de coaching pode ser útil a um treinador de futebol?
Acima de tudo porque lhe permite desenvolver competências menos trabalhadas ou menos eficientes nele próprio. Logo aí é uma mudança quase drástica no modo normal de um treinador que quase sempre se foca exclusivamente nos outros. E não é por mal, acredito. E permite-lhe também ter outro tipo de ferramentas e mais eficientes e a médio-logo prazo com melhores compromissos para aplicar nas suas equipas. Seja na dinâmica de grupos, na interação com as pessoas, o modo como avalia a sua prestação, se a mensagem chega ou não.
 
Que características são essenciais para se ser um líder de sucesso, enquanto treinador de futebol?
Conquistar os objetivos. E que os mesmos sejam quer ambiciosos quer exequíveis. A pergunta correta hoje é talvez procurar o que têm aqueles que mais ganham. O que fazem. O que pensam. O que sabem. É um trabalho que estou a desenvolver. Podemos perceber que conquistar quem com eles trabalham é fundamental. Que a sua mensagem passe. Que o objetivo seja grupal. Que exista predisposição para os outros, colegas, e exigência. Mas não sabemos certamente ainda o ‘modo’ e o ‘como’, ou seja, observando estes dois sinais como receitas. Não há.
 
Já referiu a importância do coaching junto do treinador. E em relação aos jogadores (processo individual) e à equipa (processo colectivo), de que forma pode ser útil o Coaching?
Quase que na mesma perspetiva. Permite que o atleta possa ser um melhor auto-conhecimento. Seja mais determinado, saiba como lidar com receios, motivações, obstáculos. Saber definir objetivos por exemplo, que se fala tanto, mas muitas vezes um atleta perde-se muito aí.
 
Da sua experiencia desta área que estratégia já tenha utilizado e que nos possa contar?
A estratégia principal, por muito que possa parecer simplista, mas que é a mais eficiente é estar predisposto para ajudar o outro sem que ele não compreenda por si das vantagens e das consequências. E para isso é um trabalho sempre diferente, que muda ou é alterado de dia para dia, sessão para sessão conforme o que sai da cabeça e da boca do outro. E por isso, com uns funcionam umas coisas com outros funcionam outras. Como um treinador que observe os seus atletas. O tratar todos por igual é mau, uma injustiça como dizia Phil Jackson.
 
De forma sucinta, que factores deve o treinador ter em conta na construção de um grupo?
Para que serve aquele grupo? Ganhar, andar ali, não perder, etc. Qual o objetivo, que direção vai tomar? O que tenho e o que considero que falta para poder alcançar? E do que falta o que pode ser trabalhado e o que tem de estar já garantido como matéria-prima. E depois toda uma área ainda mais importante, os processos e dinâmica de grupo como a inclusão, justiça, avaliação, reconhecimento, organização, comunicação, responsabilização e muito mais.
 
Como vê a constituição das equipas técnicas de futebol, as quais, na sua maioria, não tem um técnico especializado na área comportamental?
Pois…considero que o treinador em geral considera que toma ou pode tomar conta disso. Grave a meu ver é o passo anterior, que é o próprio treinador não trabalhar ele próprio essa área. Depois com os atletas, infelizmente ainda se vê muito a crença que o saber a que cheira um balneário chega para conquistar e lidar com um grupo. Não retirando a importância que esse ‘cheiro’ possa ajudar.
 
Na sua opinião, qual a maior resistência para que um técnico especializado no comportamento humano ainda não seja visto como relevante numa estrutura técnica?
O próprio técnico especializado. Tenho de pensar sempre que parte do que pretendo depende de mim. E no que não depende, como alterar ou ajustar-me. Esta pergunta ao treinador deveria ter como resposta o próprio treinador. Não posso acusar o treinador de não me aceitar. Eu tenho de perguntar-me o que tenho de fazer para ele me aceitar.
 
Vê-se integrado numa equipa técnica de Futebol? Como seriam as suas funções e a ligação com o Treinador?
Claro que sim. Muita coisa. Numa primeira fase trabalhar o treinador, o seu perfil, estudá-lo e perceber o que temos de fazer até chegar ao que ele idealiza. Conquistar a sua confiança, não achar que iria confiar em mim porque sim. E posteriormente, trabalhar o grupo, a equipa técnica como um todo. Dinâmicas, vídeos, interações individuais e coletivas.
 
Quais são os seus objectivos profissionais para o futuro?
Três: Continuar a fazer coisas pelas quais sou apaixonado. Conseguir construir valor sempre. E algo mais concreto, conseguir trabalhar com treinadores na área quer do coach deles quer ajudando nas equipas.
 
Pode-nos deixar algumas dicas como um treinador pode motivar a sua equipa?
A melhor dica é perceber qual a consequência que motiva a pessoa e a equipa. Depois existem muitas técnicas. Deixar a pior ou uma não técnica. Motivar os outros como nós gostamos de ser motivados. Isso é que é bastante errado. E saber que os atletas que possuem níveis maiores de auto-motivação, motivação intrínseca são mais auto-determinados, que duram mais na tentativa de alcançar os seus objetivos.
 
Qual a sua opinião sobre os treinadores Portugueses?
Excelentes. Têm muitas caraterísticas espetaculares, mas têm duas que a meu ver os diferenciam pela positiva: capacidade de adaptação e uma flexibilidade fantástica nas relações interpessoais e na gestão das culturas.
 
Que opinião tem da WI COACH?
Um excelente projeto. Uma excelente ideia. Algo que traz e constrói valor, e o que por si só, já é de uma coragem enorme, tentar e desafiar a normalidade. 

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Este poderia ser um pequeno resumo do que é ser treinador

O treinador é mais um observador do que outra coisa num jogo. Por muitas intervenções que tenha, serão quase sempre numa perspetiva reativa. O treinador não joga e não participa ativamente em quase todas as ações dos atletas / equipa no jogo. É confrontado constantemente com a necessidade de resolver problemas e arranjar soluções, tomar decisões em ambientes competitivos, complexos e conseguir que os atletas consigam ...em campo tomar as melhores decisões e que ele próprio também considera serem as melhores. Tenta manter a sinergia e garantir que eles tenham um sentimento de pertença e importância. Ensina-os como jogar entre si e executar da melhor forma os planos, as ações de jogo, motivam os jogadores para procurarem melhores resultados e tentam ao máximo que acreditem que conseguem ganhar e alcançar os objetivos.