Coach do Coach

Os melhores profissionais e as melhores equipas têm um denominador comum: serem peritos nas competências intra e inter que perfazem as relações interpessoais entre todos os objectivos, as ferramentas e os meios.


domingo, 8 de setembro de 2013

Crónica do Record sobre gestão de conflitos e emoções

Quem gere uma equipa sabe da importância que emoções dos atletas têm nos resultados. Na forma como se aplicam, motivam, se focam, disponibilizam e gerem os objectivos individuais alinhados com os colectivos. Daí que cada vez mais, os treinadores vão aplicando-se na gestão das emoções, expectativas, motivação dos atletas de modo a conseguirem que os mesmos se focalizem ao máximo e estejam totalmente disponíveis para alcançar os resultados que a equipa pretende.

Mas mesmo dando mais importância, não impedem que por vezes as emoções dos atletas sejam desequilibradas e desalinhadas com as regras que a equipa e o clube instituíram e cabe ao treinador e ao clube gerirem esse processo. O quanto antes! Porque tal como as coisas boas podem alastrar, também um conflito com um atleta pode contagiar negativamente o plantel. E pode contagiá-lo na relação entre os interlocutores, com os outros colegas, com os objectivos da equipa que podem sofrer sem a participação desse atleta, colocando em causa uma série de factores relacionados com a disciplina e gestão do clube.

Mas existem casos e casos. Alguns possíveis de gerir dentro do próprio grupo. Outros apenas com a intervenção do treinador na equipa. Os mais complexos, com a participação da direcção do clube. E a resolução dos casos de conflitos não implicam sempre a integração de atleta no plantel, muito não acabam bem. Um conflito resolve-se por vezes quando são tomadas as decisões de que uma das partes terá de sair. Está longe de ser uma acção ganha-ganha. O que nos parece sempre óbvio, é que o tempo é um factor crucial aqui.

Na gestão do caso Benfica-Jorge Jesus-Cardozo, está mais do que visto que perderão todos. O Benfica pode conseguir a verba que pretende. O treinador pode conseguir vencer e contratar um substituto à altura. O jogador pode conseguir ir ou estar onde deseja. Mas uma coisa é certa. Muito má gestão do caso. Muita informação cá para fora. Muita exposição. Muito tempo para que o jogador pedisse desculpa. Ouve-se o treinador e não se percebe se é a favor que o jogador saia ou que permaneça. O jogador começa a treinar mais de um mês depois de alguns colegas e demorará mais tempo para potencializar as suas capacidades. E a equipa – aparentemente – não se consegue adaptar a outro processo de jogo.

Por muito que se fale em gestão de conflitos e exista mais informação ao nosso dispor para aprendermos, quando as situações acontecem, o que vem ao de cima é a liderança e a capacidade adquirida de gerir estas situações. Não se aprende no momento, há que estar preparado. O que é bastante explícito para já é que os intervenientes não estavam preparados. Vamos ver quem sai mais a perder. Porque a ganhar, parece que está difícil.      

2 comentários:

Rui Nogueira disse...

Olá, Coach Rui

Segui superficialmente o caso :

"Cardozo_Benfica_2013".

O que aconteceu foi um descontrolo emocional surgido sobre grande pressão por parte do jogador.Provavelmente foi mal preparado e formado pela equipa técnica (psicólogo/s) para este tipo de situações.
É notória a dificuldade de raciocínio rápido do treinador Jorge Jesus, pelo menos o demonstra a sua dificuldade em falar fluidamente nas entrevistas.
Talvez seja por isso que o Presidente do Sport Lisboa e Benfica Luís Filipe Vieira, sinta tanta empatia por este treinador.

Um abraço

Rui Lança disse...

Gostei particularmente da última frase :)

E concordo que ninguém estava preparado para aqueles cenários. Mas uma coisa é não estar preparado outra coisa é considerar que aquele cenário não era de todo possível. Digo eu!

Abraço