Coach do Coach

Os melhores profissionais e as melhores equipas têm um denominador comum: serem peritos nas competências intra e inter que perfazem as relações interpessoais entre todos os objectivos, as ferramentas e os meios.


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quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Emoção ou razão?

Num projecto de livro com alguns autores, entre eles o Prof. Jorge Araújo, ele colocava isto como nota introdutória:

"Infelizmente, a maioria dos estabelecimentos de ensino ainda estão organizados segundo o velho modelo industrial em que as crianças e os jovens são tratados como peças de automóveis que se deslocam numa linha de montagem e os professores tentam martelar, torcer e moldar à sua passagem.

O FUTURO DO SUCESSO
De Robert B. Reich"


Estranho é pensar que ao nível do treino, é nisto que ainda muitos treinadores querem condicionar, tornar o atleta de desportos colectivos uma máquina que reage da forma mais 'correcta' aos estímulos, apenas pela 'razão' (?) e não pelas emoções também.


É caso para dizer que caminhamos em sentidos quase opostos!

A terminar coloco um texto do português consagrado António Damásio também retirado do projecto-livro com os vários autores e colegas:


"Acontecem primeiro as emoções como forma de reagir às circunstâncias exteriores. Depois os sentimentos como alerta mental e prolongamento do impacto das emoções, afectando a atenção e a memória. Por fim, a combinação de memórias do passado, imaginação, raciocínio, a permitir a antecipação e previsão dos problemas e a possibilidade de criar novas soluções.

António Damásio,

“À Procura de Espinosa”

quinta-feira, 26 de março de 2009

Novo livro do Prof. Jorge Araújo

Ontem fui assistir à apresentação do novo livro do meu amigo Jorge Araújo. Como sempre, a curta mas preciosa intervenção tocou em pontos fulcrais na vida humana, desportiva, política, de treinador, atleta, etc.

A certa altura tem uma daquelas frases que gosto de ouvir: "Ou tu mudas ou alguém te muda".

Depois, um político dizia (e se calhar bem), no desporto os resultados contam muito mais para convencermos alguém a ficar do lado do líder ou treinador. Os atletas vão atrás. Na política a oposição não faz isso. Errado! Em Portugal, não faz isso! Obama é um exemplo de como por baixo se vai ganhando novos aliados nos inimigos.

Depois tocou em diversas questões de treinar e naquela questão de quem é líder, treinador ou tem equipas de trabalho a seu cargo tem de saber necessariamente que 'eles' estão te a ver! Podem não te dizer nada, mas observam o que tu dizes, o que fazes ou as reacções que tens!

Como ouvi da boca dele, os comportamentos são como os vírus, contagiam! Que sejam dos bons...

domingo, 18 de janeiro de 2009

Coaching

Algumas notas sobre o tema do 'coaching' (humanet)

Notas sobre o 'coaching' a partir de diversas ideias. Por exemplo, a de o tema apesar de já não ser novo parecer agora estar na moda. Será que as pessoas das empresas portuguesas, nomeadamente os gestores, estão realmente mais receptivas ao 'coaching'? E como é que através dele se pode melhorar a performance? Por Jorge Araújo

O ponto de partida para estas notas. O tema do 'coaching', apesar de já não ser novo, parece estar na moda. Mas será que as pessoas das empresas portuguesas, nomeadamente os gestores, estão realmente mais receptivas ao 'coaching'? Se a questão é porque o 'coaching' está na moda, parece-me preocupante. Mas se é por constituir uma necessidade, então tudo bem.


Verifica-se de facto na actualidade um aumento da receptividade dos responsáveis pelas empresas ao processo de 'coaching'. Numa realidade onde cada vez mais se impõe que quem dirige ajude a melhorar as competências dos colaboradores, é incontornável que o processo de 'coaching' constitua algo de imprescindível. Cumpre-me no entanto chamar a atenção para um facto de decisiva importância.

Não é 'coach' quem quer, muito menos quem for simplesmente designado para tal, ainda menos quem queira fazer do acto de ser 'coach' um simples modo de vida como qualquer outro.A nível desportivo, ou no âmbito da formação de quadros de uma empresa, entende-se por 'coaching' o acto de melhorar as competências dos membros de qualquer equipa de trabalho, tanto a nível individual como colectivo. Pressupõe informação e formação contínua, ensinar o esperado e a gerir o inesperado contido no dia-a-dia do funcionamento de qualquer equipa de trabalho. Requer treino, tomando sempre como referência fundamental a actividade bem concreta para a qual pretendemos preparar aqueles a quem nos dirigimos.

Que no meu caso foram e são os jogadores. Mas que no que se refere a uma empresa, serão os respectivos quadros.Não é fácil desenvolver uma correcta intervenção de 'coaching'. Melhorar e desenvolver as competências dos que connosco trabalham pressupõe servir, mais do que servirmo-nos. Exige entrega aos outros. Pensar mais nos interesses daqueles que formamos do que propriamente nos nossos. O centro das nossas preocupações deve transferir-se da nossa afirmação e da nossa imagem profissional para a melhoria das competências daqueles que estão sob a nossa responsabilidade formativa. E isto está longe de ser algo fácil de levar a cabo. Requer maturidade, humildade, desprendimento pessoal. Solicita-nos um conhecimento profundo das nossas debilidades e vaidades pessoais, tendo em vista conseguir a respectiva ultrapassagem e o seu controlo.

O 'coaching' não é bom nem mau em si mesmo. Depende do modo como é exercido. E acima de tudo tem de ser realizado por quem seja capaz de, mais do que invocar o seu estatuto de autoridade, saiba provocar nos 'coachees' o reconhecimento dessa autoridade. Por quem consiga criar ambientes de trabalho onde a competência seja reconhecida e incentivada, exista confiança e respeito mútuo, os mais preparados cuidem dos menos preparados, as tradições e os valores colectivos sejam devidamente respeitados, inovação e criatividade não sejam só palavras e o sucesso de uns seja o sucesso de todos.

O 'coaching' entendido como treinar requer uma constante observação selectiva dirigida no sentido de o 'coach' cada vez mais e melhor ensinar e melhorar as competências dos 'coachees'. Levando-os a assumirem os objectivos individuais e colectivos a atingir e a actuarem ao serviço da equipa com o maior empenhamento possível. 'Coaching' (treinar) é responsabilizar, dando o tempo necessário para evoluir, e o espaço individual necessário para criar. 'Coaching' é tudo aquilo que formos capazes de fazer ao serviço daqueles que connosco trabalham e, principalmente, ajudá-los a chegar onde pretendem.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Lógicas para as equipas

"Uma soma de grandes individualidades não faz uma grande equipa, mas não há grandes equipas sem grandes individualidades"

Apontamento do Prof. Jorge Araújo!

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Artigo de Jorge Araújo

Formar e preparar equipas vencedoras. Algo que pede capacidades extremamente exigentes, seja no desporto, seja nas empresas. Como consegui-lo?

Liderar jogadores, para que trabalhem em equipa, constituiu sempre um desafio de enorme complexidade e exigência. Todo o ser humano tem como objectivo principal a sua afirmação individual e só depois – se o mobilizarem nesse sentido – será capaz de se concentrar nos interesses colectivos. O que ilustra como é difícil tentar aperfeiçoar interacções pessoais e técnicas entre indivíduos cujos objectivos particulares estão muitas vezes longe de ser compatíveis.

«O que ganho eu com isso?», perguntavam-me os jogadores. Questão central… Precisava de convencê-los de que, através da equipa e do respectivo sucesso colectivo, cada um deles teria algo de significativo a ganhar. Tinha de conseguir fazê-los interiorizar que, contribuindo individualmente para que o todo fosse maior do que a soma das partes, retirariam daí o retorno positivo que almejavam.

Como consegui-lo? Potenciando a mobilização das vontades individuais ao serviço do colectivo. Se nunca os abandona a motivação respectiva, na defesa dos interesses individuais, então teria de ser capaz de conseguir que, atingindo a equipa os seus objectivos, cada um dos jogadores ganhasse com isso algo de significativo.

Se cada jogador era tão sensível ao facto de ter de ganhar algo, sempre que se entregasse ao colectivo, cumpria-me ser capaz de me ajustar às diferenças que revelavam, ver a minha autoridade reconhecida mais do que imposta e possuir em cada momento da vida das equipas que dirigia uma visão clara do que pretendia alcançar a nível individual e colectivo.

Tinha forçosamente de me adaptar e de conseguir potenciar os constantes fluxos e refluxos motivacionais provocados pelos egoísmos dos jogadores, na busca de uma fundamental coesão de processos e de uma necessária relação social e também de uma identificação colectiva.
Uma sincronização dos movimentos colectivos e individuais e clareza na definição e na coordenação de tarefas de cada jogador.

Profundos laços sociais e afectivos, potenciando uma cooperação e uma entreajuda sem reservas de qualquer espécie. Um alinhamento claro de todos os jogadores ao serviço dos objectivos colectivos a atingir e fortes sentimentos de orgulho de pertença à equipa.
Todos os jogadores que conheci – naturalmente uns mais do que outros – debatiam-se entre afirmarem-se individualmente e o prazer de fazerem parte de uma equipa com a qual se sentissem envolvidos.

O que, em complemento do que já ficou dito para trás, permite concluir que reside nesta aparente contradição um dos mais apaixonantes aspectos de tudo o que diz respeito ao trabalho em equipa. Por um lado, somos uns inveterados egoístas; por outro, temos o desejo constante de fazer parte de um colectivo que nos complemente e que nos dê espaço quanto baste para, através dele, também nos afirmarmos individualmente. De entre os jogadores que comigo trabalharam, os que fizeram a diferença para melhor foram precisamente aqueles que sabiam utilizar a equipa e os seus resultados como uma oportunidade de afirmação e desenvolvimento pessoal.

As competências comportamentais desses jogadores e a forma como se relacionavam com os restantes foram atributos que os distinguiram no modo como contribuíam para a equipa sem nunca se deixarem diluir totalmente no interesse colectivo. Eram maduros, seguros, confiantes, preocupados com os outros, sempre capazes de estabelecer laços de confiança com todos os que os rodeavam.

Geriam bem as suas emoções sob pressão, contribuíam pela positiva para o desenvolvimento de dinâmicas na equipa ao serviço do aumento da respectiva eficácia. Tinham uma constante atitude positiva e influenciavam a equipa de modo marcante. Por sua vez, em termos colectivos, onde é que registei diferenças no que respeita às equipas com que alcancei sucesso?

As diferentes personalidades nelas existentes complementavam-se e completavam-se. Nelas existiam afinidades que lhes potenciavam as acções em comum, funcionando quase sempre numa simbiose perfeita entre estarem focadas nas tarefas e nos objectivos comuns a alcançar e, em simultâneo, estabelecerem fortes laços de inter-relação social. Demonstravam índices de coesão acima da média e davam respostas diversificadas às naturais dificuldades impostas pelo confronto com a realidade.

Formar e preparar equipas vencedoras foi naturalmente um dos meus objectivos ao longo dos anos. E para o conseguir fui percebendo a partir de uma certa altura que me eram pedidas capacidades extremamente exigentes. Para além de o facto de ser treinador me ter exigido uma mudança profunda do meu comportamento. Quem joga são os jogadores e não o treinador, razão pela qual tive de assumir como objectivo principal que os jogadores fossem autónomos e capazes de se auto-disciplinarem, auto-motivarem e auto-prepararem.
Tal como aprendi, com o passar dos anos, que não há qualquer aparente contradição entre a necessidade que o treinador tem de legitimar e valorizar a sua função e a percepção gradual que vai adquirindo ao longo do tempo; a de que o rendimento da sua equipa, num certo sentido, melhora quanto mais os jogadores menos dele precisem.

domingo, 19 de outubro de 2008

Quem joga?

"No coaching, é decisivo perceber que quem joga são os jogadores, não os treinadores. E que o acto de treinar alguém subentende acima de tudo servir, mais que servirmo-nos" (Jorge Araújo)

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Entrevistas que valem a pena ler

Deixo aqui algumas entrevistas que penso que poderão acrescentar valor, que acham?

- Jorge Araújo ao jornal 'A Bola'

- Jorge Araújo à revista 'Pessoal'

- Jorge Valdano à 'Economia Elche' sobre o mundo do desporto e as empresas