Coach do Coach

Os melhores profissionais e as melhores equipas têm um denominador comum: serem peritos nas competências intra e inter que perfazem as relações interpessoais entre todos os objectivos, as ferramentas e os meios.


terça-feira, 17 de setembro de 2013

Uns tentam incutir novas identidades, outros não. Porquê?_Crónica SAPO Desporto

Mais uma crónica no SAPO Desporto! Pode ver neste link.

"Em todas as épocas desportivas assistimos a alguns treinadores que tentam incutir uma nova dinâmica de encarar o jogo. Destaque para esta época de Leonardo Jardim, Costinha ou Jorge Jesus. Paulo Fonseca não. Porquê?

Nova época desportiva com novo treinador na equipa significa quase sempre que existirá uma tentativa de incutir uma nova dinâmica de jogo a essa mesma equipa. Uma nova dinâmica sobre o todo que é aquele conjunto e não apenas se altera do 4-4-2 para 4-3-3, por exemplo. Embora esteja tudo inter-relacionado, a dinâmica de uma equipa é a forma como a mesma se comporta para lá da tática e com o que se identifica em campo.

Se pretende ser mais ativa, dominadora, maior identidade individual ou coletiva. Aquilo que visto de fora, nos remete para uma ideia sobre aquela equipa. Acreditamos que todos os treinadores quando querem alterar a dinâmica da sua equipa consideram que vão melhorar. Mas falham no exercício se o caminho entre o estado onde se encontram até onde desejam chegar vai ser possível concretizar dependendo maioritariamente deles.

Paulo Fonseca chegou ao Porto e por muito que tente alterar os princípios táticos na equipa, eles têm de ser coerentes com aquilo que é a equipa azul e branca nos últimos anos. Seja quem joga, tem de ser agressiva, dominar, grande entrega e dedicação, espírito coletivo acima de tudo. Decisão que vem da estrutura e que provavelmente, o treinador quando entra já sabe que não pode alterar. Os últimos casos que não quiseram cumprir a bem essa orientação, mesmo campeões, acabaram por sair.

Leonardo Jardim e Costinha. Dois treinadores novos nas suas equipas. Leonardo Jardim, como já tinha referido, decidiu unificar os processos de grupo das equipas mais unidas. Cooperação, proximidade de jogadores, muita interajuda, maior capacidade de resposta ao erro individual. Bem! Não dará para tudo, mas dará certamente para muito melhor que um grupo desunido na procura da vitória cada um por si.

Costinha. Um Paços de Ferreira que nos últimos anos fez da humildade, entrega, realismo a vários níveis e muito coletivo as suas principais referências. Sem grandes momentos de euforia, viu-se – com muito mérito, é certo – numa posição para a qual não estava preparada. Costinha (e a estrutura?) tentou incutir uma forma de estar mais alinhada com uma equipa personalizada pelo domínio de jogo, pela capacidade de algumas individualidades poderem resolver jogos, maior distância entre os jogadores. Apesar das várias derrotas, mesmo existindo a atenuante de ter jogador duas vezes com o Zenit, contra FC Porto, Sp. Braga e Benfica, a sugestão é: se equilibrar com os princípios de jogo que sempre fizeram a identidade do Paços, rapidamente atingirá as vitórias. Porque há ali qualidade.

Jorge Jesus como um intermédio. Nos quatro anos na Luz viu-se várias vezes entre o estrelato e a desgraça. Este ano, percebeu-se que tentou incutir uma nova forma de estar fruto do ‘pseudocastigo’ a Cardozo. Como tudo correu mal. Bastou voltar ao sistema antigo, mesmo não existindo o melhor estado de alguns jogadores, os resultados apareceram. Sorte? Não! As dinâmicas demoram muito a construir e podem ser destruídas no instante. Há que perceber que a mudança para outra dinâmica implica muita rotina e compreensão."

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

A minha participação na Etv

Esta semana está a dar no canal Económico TV a minha participação no programa 'Ideias em Estante' com a Mafalda de Avelar.

domingo, 8 de setembro de 2013

Crónica do Record sobre gestão de conflitos e emoções

Quem gere uma equipa sabe da importância que emoções dos atletas têm nos resultados. Na forma como se aplicam, motivam, se focam, disponibilizam e gerem os objectivos individuais alinhados com os colectivos. Daí que cada vez mais, os treinadores vão aplicando-se na gestão das emoções, expectativas, motivação dos atletas de modo a conseguirem que os mesmos se focalizem ao máximo e estejam totalmente disponíveis para alcançar os resultados que a equipa pretende.

Mas mesmo dando mais importância, não impedem que por vezes as emoções dos atletas sejam desequilibradas e desalinhadas com as regras que a equipa e o clube instituíram e cabe ao treinador e ao clube gerirem esse processo. O quanto antes! Porque tal como as coisas boas podem alastrar, também um conflito com um atleta pode contagiar negativamente o plantel. E pode contagiá-lo na relação entre os interlocutores, com os outros colegas, com os objectivos da equipa que podem sofrer sem a participação desse atleta, colocando em causa uma série de factores relacionados com a disciplina e gestão do clube.

Mas existem casos e casos. Alguns possíveis de gerir dentro do próprio grupo. Outros apenas com a intervenção do treinador na equipa. Os mais complexos, com a participação da direcção do clube. E a resolução dos casos de conflitos não implicam sempre a integração de atleta no plantel, muito não acabam bem. Um conflito resolve-se por vezes quando são tomadas as decisões de que uma das partes terá de sair. Está longe de ser uma acção ganha-ganha. O que nos parece sempre óbvio, é que o tempo é um factor crucial aqui.

Na gestão do caso Benfica-Jorge Jesus-Cardozo, está mais do que visto que perderão todos. O Benfica pode conseguir a verba que pretende. O treinador pode conseguir vencer e contratar um substituto à altura. O jogador pode conseguir ir ou estar onde deseja. Mas uma coisa é certa. Muito má gestão do caso. Muita informação cá para fora. Muita exposição. Muito tempo para que o jogador pedisse desculpa. Ouve-se o treinador e não se percebe se é a favor que o jogador saia ou que permaneça. O jogador começa a treinar mais de um mês depois de alguns colegas e demorará mais tempo para potencializar as suas capacidades. E a equipa – aparentemente – não se consegue adaptar a outro processo de jogo.

Por muito que se fale em gestão de conflitos e exista mais informação ao nosso dispor para aprendermos, quando as situações acontecem, o que vem ao de cima é a liderança e a capacidade adquirida de gerir estas situações. Não se aprende no momento, há que estar preparado. O que é bastante explícito para já é que os intervenientes não estavam preparados. Vamos ver quem sai mais a perder. Porque a ganhar, parece que está difícil.      

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

A necessidade de trabalhar em equipa com os clientes e fornecedores. Como?

(parte de um texto que irá ser publicado numa revista de rh's)

Para lá da necessidade fulcral que é trabalhar em equipa e o mais eficiente possível, alguns mercados e empresas têm outro desafio. Que é a necessidade de trabalhar em equipa internamente e com outras empresas, que são seus clientes ou fornecedores. Porque perceberam que se tornam mais fortes e todas ganham. Uma empresa que gere a publicidade de uma outra empresa ou presta um serviço de consultadoria, precisa não só de internamente trabalhar de forma o mais coordenada possível do ponto de vista de decisões, acções, ideias ou esforços, mas também com a outra empresa.

Como? As pesquisas focam cada vez mais que as empresas que estão melhor preparadas para enfrentar a situação actual de crise, são as que dominam a base de trabalho das equipas de excelência. E por muito que possamos ficar admirados, não se trata de ter talento, boas ideias de negócio ou muitos recursos materiais ou financeiros. Trata-se de dominarem as competências das relações interpessoais entre os diversos elementos, ou seja, maior diálogo e assertividade, empatia, foco, flexibilidade e adaptabilidade. Logo têm de o fazer com os seus clientes e saber contextualizar.

Não é nada fácil. Porquê? Porque se nem internamente todos os elementos compreendem e aceitam a utilidade do esforço colectivo, é fácil perceber que de empresa para empresa esse fenómeno seja mais desafiante. E também porque do outro lado nem sempre o cliente entende que cooperando, dando também ideias, sendo parte activa do processo, acaba por ter um retorno maior. Assumem que esse trabalho de ideias, projectos, acções fazem parte dos deveres da outra empresa a quem se paga para isso.

E aqui é necessário ainda mais um domínio das relações interpessoais colectivo. Exige ter competências ao nível do impacto comunicacional para que nos ouçam e se consiga coloca-los a falar ainda mais, ser flexível do ponto de vista da adaptação a vários contextos e perfis de pessoas, ter uma predisposição para o outro e um agente facilitador dentro de nós!

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Existe em nós um dom de desorganização?

Individualmente acredito que existam algumas pessoas que sejam 'genuinamente' organizadas. Quer física quer mentalmente, que as coisas lhes pareçam ter lógica apenas assim. Colectivamente, temos um dom. O de sem fazer grande ou qualquer esforço, as ideias, projectos, trabalhos, tarefas ficarem muito rapidamente desorganizadas e atropelarem-se umas às outras. Não são precisas estratégias ou muito gasto calórico para que as coisas caiam no esquecimento ou na falta de partilha. Na má qualidade como as prioridades que deixam de o ser para terem de esperar a sua vez em troca de uma tarefa qualquer insignificante. Provavelmente, isto só acontece porque existirão (muitas?) mais pessoas desorganizadas que organizadas. Mas o fenómeno colectivo é quase como assistir a um qualquer acontecimento da natureza…basta sentar-nos e vermos um grupo a tentar trabalhar. Não é preciso esperar muito para verificarmos que a desorganização colectiva é um acontecimento em catadupa...

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Crónica no Desporto da Sapo_Como construir e destruir? Bons exemplos no Sporting e Paços de Ferreira

Nada está ganho nem perdido, mas a forma como se ganha e se perde, já nos dá umas pistas!

É verdade que quer o Sporting quer o Paços de Ferreira não ganharam nem perderam nada. Trata-se de seis pontos e dois jogos e ainda vamos na 2ª jornada. Mas observar as distintas abordagens pode ser um bom exercício para quem quer perceber um pouco mais de dinâmicas de equipas. 
 
Um Sporting mais alinhado e unido. Não foco abordagens táticas, mas percebe-se que estão mais juntos nos lances, ganham mais ressaltos, festejam mais quando marcam, comunicam e dão mais feedback positivo. Há uma pessoa – introvertida e low profile – que comunica calmamente durante os jogos e que, tal como referi na última rúbrica, pode ter um problema chamado Bruno Carvalho no banco quando as coisas correrem menos bem dentro de campo. Mas até lá, vai havendo tempo para crescer.

Ao nível de dinâmicas de equipas e visão, a sua construção foi correta. Para crescer recrutou um conjunto de jogadores – interna e externamente – que querem aproveitar a subida do clube para subirem também. Ao contrário da época anterior, onde um conjunto de atletas supostamente com uma carreira mais solidificada, não se identificava com os maus resultados e não sentia como sua aquela luta. 
 
Ainda é cedo, nove golos são nove golos, mas é o processo que se destaca mais. Por muito que seja difícil não destacar os resultados.

Por outro lado temos a desconstrução e destruição de uma visão no Paços de Ferreira. Uma equipa que para esta época se reuniu à volta de uma visão que iria (e irá) durar apenas dois jogos na Liga dos Campeões. Uma mentalização coletiva e individual que se foca naquilo que não é o seu mundo. Uma surpresa é uma surpresa e para se tornar regular, há que solidificar processos. Nem o treinador Costinha está alinhado com o clube nem com o seu processo de estabilização. Não se trata de criticar a pessoa, mas sim, destacar que o crescimento ao nível de liderança se faz com dois pilares do treinador: identificação e superação. E Costinha até poderia cumprir na segunda. Mas nem isso. Carlos Barbosa e Carlos Carneiro não acertaram para já, vamos aguardar!

Por último, a vitória do Benfica. Não se passa a ser besta nem bestial com vitórias aos 92’. Jorge Jesus sofreu no ano passado esse descrédito. Perder nos descontos, destrói muito a confiança. Ganhar, pode ajudar a crescer o grupo e a união, especialmente quando aparentemente não há muita…

Próxima sexta-feira, supertaça europeia: duas equipas com um upgrade de construção, dois grandes treinadores de enormes construções. José Mourinho e Pep Guardiola!

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Crónicas no Sapo Desporto

A semana passada começou a minha colaboração no Sapo Desporto. Hoje saiu a 2ª crónica. Aqui vai o link e o texto!

"Falar da primeira jornada é abordar acontecimentos previsíveis. Infelizmente para Jorge Jesus, depois de uma pré-época estranha a vários níveis, o primeiro jogo oficial foi mais do mesmo: mais uma primeira jornada sem vencer e o arrastar de uma equipa sem capacidade de reação, cansada e desalinhada.

Previsível porque a pré-época trouxe um Benfica confuso em termos táticos e organizacionais como o caso muito mal gerido de Cardozo, Matic ser o jogador com mais minutos mas assumido por Jorge Jesus como muito difícil de manter no plantel na má entrevista realizada por um Administrador da SAD ao treinador do ponto de vista estratégico. 
 
Fruto da preocupação que provavelmente passará na sua cabeça, o que se viu no banco benfiquista na Madeira foi um treinador cabisbaixo, triste e preocupado. Saberá que terá pouca margem de manobra para esta nova época e que sem a equipa do seu lado, pouco mais conseguirá fazer. E até que provem o contrário, a questão mantêm-se: manterão os jogadores respeito e aceitação da sua liderança após tantos desaires e situações mal geridas?

Dia 31 de Agosto e os primeiros dias de Setembro serão marcos importantes a vários níveis para o treinador: data do jogo com o Sporting em Alvalade e perceber quem sai e se entrará ainda mais alguém. A partir daí poderá ter maior tranquilidade…ou não.
Alvalade, onde se viveu um passo importante. Três pontos são três pontos, mas para Leonardo Jardim é muito importante colocar confiança num plantel jovem e pequeno.

Terá a grande vantagem de durante a época ter apenas a Liga e os jogos das Taças internas, possibilitando preparar a equipa em termos táticos e comportamentais com mais tempo. Mais tempo que só será passado com tranquilidade se vierem de vitórias.
Curiosidade para perceber como irá Jardim conviver com o seu lado mais introvertido e ter um Presidente no ‘seu’ banco de suplentes mais interventivo quando as coisas correrem menos como o esperado.

Destaque ainda para as excelentes entradas e confirmações de Marco Silva, Nuno Espírito Santo e Rui Vitória. Capacidade para conseguirem um equilíbrio coletivo e a capacidade de construírem novas equipas. Paulo Fonseca, o dilema de saber gerir os intensos duelos internos com a ajuda da SAD portista e a má entrada de Costinha. Saberá gerir as emoções e expectativas criadas?

Por último, para a lágrima quase deixada cair por José Mourinho no seu regresso a Londres. Genuína? Sentida? Ensaiada? Nestes mindgames vale de tudo, mesmo que seja genuíno."

domingo, 11 de agosto de 2013

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Está quase o novo livro!

Este livro pretende ser uma ferramenta para todos os treinadores que queiram desconstruir a sua função e analisar vários pontos que considerei serem pilares importantíssimos para as suas tarefas. Ferramentas relacionadas com o seu conhecimento, com a sua personalidade, a forma de estar e o saber agir. E principalmente, com dois pontos essenciais e que não são fáceis de encontrar nas pessoas: saberem onde querem chegar e o que estão dispostos para o atingirem.

Um livro que balizará comportamentos fundamentais como o impacto comunicacional com os atletas, equipa técnica e consigo próprio. Como lidera e que retorno atinge sempre que o faz. Indicadores para avaliar um conjunto de acções que diariamente um treinador realiza, mas não sabe realmente o que valem. A importância de motivar, elevar a exigência, dar feedback, gerir as suas emoções e de quem o rodeia. E como consegue comprometer todos nos seus objectivos e nos objectivos colectivos. Não é apenas sobre a importância destes pontos, mas também, formas de os treinar. Treinar-se a si próprio ou ter um treinador que o observa, dá feedback, questiona, desafia-o a melhorar, ver os pontos de forma diferente! Inquietar…

Tal como não há líder sem equipa, esta necessita de um bom treinador. Para alcançar os resultados e os processos de grupo a que se propõe. E porque há equipas e equipas, dei especial atenção àquelas que funcionam melhor. Que atingem elevados desempenhos. Que dominam e são peritas em passos simples, mas que todos juntos, como os elementos de uma equipa, constituem um grande passo interligado. A equipa é claramente o elemento mais poderoso na prossecução de resultados. Na sua procura.

Na inteligência emocional e colectiva, na partilha de boas práticas, no fomento à flexibilidade cognitiva, na cooperação, na aprendizagem e na predisposição interpessoal. É preciso trabalhar os vários pilares que sustentam uma equipa. Entre eles o comportamental, que consegue potenciar a autonomia e a eficiência do verdadeiro saber agir. No indivíduo e no grupo! Para tal, contei com o especial contributo de treinadores de grande qualidade e que demonstraram total abertura para elevar a fasquia deste objectivo desafiante que é acrescentar mais valor. Um muito obrigado

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Saiu-me isto...

Se não sabemos exactamente o porquê das coisas que nos mandam fazer, colectivamente, não se instala o poder da persuasão daqueles que entendem e vão ajudando outros a entender.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Pós formação

Usualmente tenho três objectivos para uma formação. Mesmo que seja apenas uma 'oportunidade' de estar uma hora. Que as pessoas gostem de estar 'ali', avaliem como um tempo bem passado. Divertido. Benéfico.

Outro é que percebam que quando falamos das áreas mais comportamentais, falamos de ferramentas e não de receitas certas. Pelos constantes exemplos que ouço diariamente, às vezes até custa acreditar que algumas ferramentas possam ser mesmo utilizadas. O outro é que as pessoas consigam sair dali a saber menos, pela descoberta de algo que os faz começar do zero ou ficar com a sensação que há tanta coisa que não se sabe. E nem desconfiamos.

A parte gira é que eu também me encaixo nessas pessoas. Gosto de me divertir na formação, consolidar que se tratam de ferramentas e não de receitas, e pelo convívio e partilha que se cria, também aprendo com as pessoas e trago sempre algo de novo para pesquisar!

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Aqui está o texto sobre 'Quem treina o treinador?'

Aqui está o texto sobre 'Quem treina o treinador?'

O treinador durante um treino gesticula, fala individual ou colectivamente com os atletas, pára o treino, entra ou permanece no recinto de competição, retoma o treino, senta-se, levanta-se, passa área de jogo e comunica para que todos o ouçam. Muitas das vezes num ambiente quase em silêncio!

Para lá destas acções do treinador, temos assistido a ...
uma evolução fantástica no treino desportivo e no conjunto de ferramentas que fornecem informações sobre os atletas e a equipa adversária. Metodologias, suportes tecnológicos, informáticos e psicológicos, mas estranhamente, quase todas elas direccionados para o atleta.

Afirmamos estranhamente, porque crescem o número de funções e exigências para um treinador, mas tal processo não tem sido acompanhado de mais e melhores ferramentas focadas em si. Hoje um treinador antes, durante e após o jogo tem um manancial de informação, relatórios, análises, mas isso não melhora obrigatoriamente o seu desempenho na relação com os atletas. A sua comunicação com os vários elementos em jogo. Na forma como gera a tomada de decisão e as emoções. As suas e dos seus atletas.

O treinador é analisado cada vez mais na forma como atinge os seus resultados. Como lidera, decide, comunica, gere. Obriga-o a melhorar um conjunto de competências como a forma de motivar, comunicar, liderar, decidir, reconhecer os seus atletas e equipas. Se o saber agir do treinador influencia em muito, não só as relações do treinador e atleta, mas também aquilo que os jogadores são capazes de interpretar e executar, não deve ser este um ponto fundamental para que o treinador treine e melhore? Mais uma vez, estranhamente a grande maioria das abordagens das relações treinador / atleta centram-se nos problemas de carácter psicológico revelados pelos atletas e esquecemo-nos que o treinador exige igual análise. A menos que se considere que o treinador está apto para todas as exigências relacionais e de liderança!

Não existe um perfil único nem ideal de treinador. Tipo super-herói que sabe tudo e não se incomoda com nada. Existem sim comportamentos e características que aumentam a capacidade do treinador atingir com mais eficácia os seus objectivos. Umas são as ferramentas relacionadas com a sua experiência, conhecimento técnico, táctico, outras são ferramentas focadas na sua tomada de decisão, comunicação, gestão, liderança, justiça e compromisso.

Terá lógica que estas competências que tanto influenciam o seu desempenho e dos atletas estejam dependentes da sua capacidade de distanciar-se e auto-análise? Não está em causa a vontade do treinador querer melhorar. Está na forma! É possível constatarmos inúmeros treinadores que cada vez mais se diferenciam para lá do conhecimento que têm do jogo. Pelas competências comportamentais que conseguem aplicar em si e nos que o rodeiam. E tal como para um atleta, que por muito forte física ou tecnicamente que seja, precisa de trabalhar arduamente, também um treinador precisa de treinar e ser treinado muito arduamente.

Espero que gostem. Ou haja críticas. Feedback!

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Quem treina o treinador? no jornal Record


Pode ser que seja um bom passo para os treinadores. Vamos ver a abertura.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Artigo no site VER

O site VER é um espaço bastante interessante e com artigos de muitas temáticas relacionadas com a sociedade, pessoas, trabalho, tendências, valores e atitudes. Passem por lá. Esta semana, contribuí com um artigo na newsletter deles sobre alguns acontecimentos colectivos que se andam a passar no local de trabalho. E não só...

"As dificuldades que as empresas estão a passar devido às contingências económicas e sociais estão a provocar muito mais consequências aos trabalhadores que ‘apenas’ o receio da perda de trabalho, da sua gestão de carreira ou do poder de compra. Provocam no seio dos seus colaboradores e equipas de trabalho um ambiente intenso de mal-estar. De acusações, desconfiança, preocupações, desmotivações e descompromisso colectivo..."



segunda-feira, 15 de julho de 2013

E se fosse publicado um livro de coaching para coaches...?

Quando há cinco anos comecei a escrever textos sobre diversas áreas relacionadas com coaching, liderança, equipas, causas, comunicação, desporto, empresas, facilitação, a ideia era criar um espaço onde pudesse investigar e juntar um conjunto de textos.

Foi crescendo, nasceu no Face, Linkedin, conquistou seguidores, saiu o livro mais mediático das equipas de elevado desempenho. Passo a passo, o tema de que os líderes e treinadores têm de treinar muito conquistou!

E se sair em breve um livro sobre Coach para o Coach?

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Artigo publicado no Record 'Formar Equipas'

Artigo publicado no jornal Record ' Formar Equipas' no passado dia 4 de Julho.

 
A pré-época está aí e com isso acentuam-se as entradas e saídas de jogadores. As equipas técnicas, porque vivem de resultados, confrontam-se com a necessidade de formar o mais cedo possível uma equipa equilibrada e à altura dos desafios e objectivos. Mas formar uma equipa demora tempo. Até pode nunca terminar, dado que é um processo longo, faseado, alimenta-se de resultados e conquistas e tem de forma inesperada, lesões, contratempos e dinâmicas internas do grupo muito específicas.
O tempo é um factor importante para os treinadores e processos de grupo. Não porque muito tempo implique necessariamente uma boa identidade da equipa, mas porque a falta dele dificulta a aquisição de alguns atletas dos princípios, não só do jogo que o treinador tenta impor, mas dos valores e dinâmicas da sua equipa. Da identidade e do compromisso colectivo que o treinador trabalha diariamente com o objectivo de ser assimilado o mais rapidamente possível.
A visão que o treinador tem para a sua equipa na temporada também é fundamental. O treinador tem geralmente capacidades de liderança carismática, forte, dirigista, boa capacidade comunicacional e deve conseguir que essa visão seja assumida por todos. De forma reconhecida e não imposta, porque só assim pode ser sentida colectivamente. O modo como este processo acontece depende muito de três factores: quem é contratado, para o que se contrata e como comunica aos mesmos o que se pretende deles.
Outro factor importante é o acolhimento e alinhamento de novos jogadores. A entrada dos mesmos visa acrescentar valor e colmatar lacunas. Ou porque uns saíram ou porque os que já fazem parte da equipa não chegam. Embora o jogador seja por natureza alguém focado em objectivos e auto-motivado, cabe ao treinador tornar este processo o mais claro e agregador. E claro está, colectivo. Não interessa ninguém que apenas pense nos seus objectivos. Phil Jackson dizia que um dom do treinador era explicar e conseguir que o atleta entendesse que seus os objectivos eram mais facilmente concretizados se os da equipa também o fossem.
A pré-época coloca sempre uma maior carga de ansiedade. Porque existem indefinições, trabalha-se na incerteza e o processo de formação é um processo que necessita de algum tempo, mas em que as derrotas têm mais de travão que as vitórias de acelerador. Como pode um treinador facilitar o crescimento? Fomentar o espírito colectivo é fulcral, porque é em equipa que se ganham jogos. Clarificar a direcção que se pretende e qual o papel de cada um também, porque não pode haver desnorte e todos têm de saber quais as suas responsabilidades. A comunicação tem de ser clara, porque é com assertividade e empatia que o treinador ‘entra’ nos jogadores. A estratégia do como e do comportamental demora, e por isso, mais do que ir depressa, é preciso ir bem. A definição dos objectivos é o farol que ajuda a motivar, liderar e puxar. O todo tem de ir para o mesmo sítio. 

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Workshop "A formação de equipas de alto desempenho"

"O Ávila Coworking, um espaço do Ávila Business Center, acolhe no próximo dia nove, em Lisboa (Avenida da República 6, 7º Dto.), entre as 14 e as 17 horas, o ’workshop’ «Como formar equipas de alto desempenho», que será ministrado por Ricardo Andorinho e Rui Lança, da MBU Intelligence.


Num documento de divulgação do evento pode ler-se que «um estudo do MIT mostra que entre 20 a 40% do desempenho organizacional depende da qualidade dos relacionamentos entre os seus colaboradores», sendo que «neste ‘workshop’ serão abordadas temáticas como a relevância de se aferir o modelo comportamental individual e da organização, porque falham as equipas, quais os comportamentos que se observam nas equipas de elevados desempenhos e quais as ferramentas disponíveis, entre outros tópicos».

Trata-se de um ‘workshop’ gratuito e com lugares limitados. Mais informações: Filomena Bruno (tlm. 914 047 304; ‘e-mail’).

De assinalar que a organização de ‘workshops’ regulares no Avila Coworking insere-se na estratégica de dinamização e promoção de ‘networking’ empresarial por parte do Avila Business Center junto de atuais e potenciais clientes."

Lá nos veremos então!