Coach do Coach

Os melhores profissionais e as melhores equipas têm um denominador comum: serem peritos nas competências intra e inter que perfazem as relações interpessoais entre todos os objectivos, as ferramentas e os meios.


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domingo, 18 de janeiro de 2009

Coaching

Algumas notas sobre o tema do 'coaching' (humanet)

Notas sobre o 'coaching' a partir de diversas ideias. Por exemplo, a de o tema apesar de já não ser novo parecer agora estar na moda. Será que as pessoas das empresas portuguesas, nomeadamente os gestores, estão realmente mais receptivas ao 'coaching'? E como é que através dele se pode melhorar a performance? Por Jorge Araújo

O ponto de partida para estas notas. O tema do 'coaching', apesar de já não ser novo, parece estar na moda. Mas será que as pessoas das empresas portuguesas, nomeadamente os gestores, estão realmente mais receptivas ao 'coaching'? Se a questão é porque o 'coaching' está na moda, parece-me preocupante. Mas se é por constituir uma necessidade, então tudo bem.


Verifica-se de facto na actualidade um aumento da receptividade dos responsáveis pelas empresas ao processo de 'coaching'. Numa realidade onde cada vez mais se impõe que quem dirige ajude a melhorar as competências dos colaboradores, é incontornável que o processo de 'coaching' constitua algo de imprescindível. Cumpre-me no entanto chamar a atenção para um facto de decisiva importância.

Não é 'coach' quem quer, muito menos quem for simplesmente designado para tal, ainda menos quem queira fazer do acto de ser 'coach' um simples modo de vida como qualquer outro.A nível desportivo, ou no âmbito da formação de quadros de uma empresa, entende-se por 'coaching' o acto de melhorar as competências dos membros de qualquer equipa de trabalho, tanto a nível individual como colectivo. Pressupõe informação e formação contínua, ensinar o esperado e a gerir o inesperado contido no dia-a-dia do funcionamento de qualquer equipa de trabalho. Requer treino, tomando sempre como referência fundamental a actividade bem concreta para a qual pretendemos preparar aqueles a quem nos dirigimos.

Que no meu caso foram e são os jogadores. Mas que no que se refere a uma empresa, serão os respectivos quadros.Não é fácil desenvolver uma correcta intervenção de 'coaching'. Melhorar e desenvolver as competências dos que connosco trabalham pressupõe servir, mais do que servirmo-nos. Exige entrega aos outros. Pensar mais nos interesses daqueles que formamos do que propriamente nos nossos. O centro das nossas preocupações deve transferir-se da nossa afirmação e da nossa imagem profissional para a melhoria das competências daqueles que estão sob a nossa responsabilidade formativa. E isto está longe de ser algo fácil de levar a cabo. Requer maturidade, humildade, desprendimento pessoal. Solicita-nos um conhecimento profundo das nossas debilidades e vaidades pessoais, tendo em vista conseguir a respectiva ultrapassagem e o seu controlo.

O 'coaching' não é bom nem mau em si mesmo. Depende do modo como é exercido. E acima de tudo tem de ser realizado por quem seja capaz de, mais do que invocar o seu estatuto de autoridade, saiba provocar nos 'coachees' o reconhecimento dessa autoridade. Por quem consiga criar ambientes de trabalho onde a competência seja reconhecida e incentivada, exista confiança e respeito mútuo, os mais preparados cuidem dos menos preparados, as tradições e os valores colectivos sejam devidamente respeitados, inovação e criatividade não sejam só palavras e o sucesso de uns seja o sucesso de todos.

O 'coaching' entendido como treinar requer uma constante observação selectiva dirigida no sentido de o 'coach' cada vez mais e melhor ensinar e melhorar as competências dos 'coachees'. Levando-os a assumirem os objectivos individuais e colectivos a atingir e a actuarem ao serviço da equipa com o maior empenhamento possível. 'Coaching' (treinar) é responsabilizar, dando o tempo necessário para evoluir, e o espaço individual necessário para criar. 'Coaching' é tudo aquilo que formos capazes de fazer ao serviço daqueles que connosco trabalham e, principalmente, ajudá-los a chegar onde pretendem.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Strokes aos nossos atletas

O stroke é um sinal de feedback que se dá a uma pessoa, a um atleta, jogador, etc. A verdade é que cada vez mais existem queixas dos líderes, também de equipas, darem pouco feedback, especialmente o positivo.

O que é isso de um stroke? É um sinal de reconhecimeno incondicional sobre alguém, se for dado de forma construtiva. Para um jogador, com maior ou menor necessidade, os strokes são como as necessidades básicas, tão importantes para um atleta como o sistema de treino. O treinador está a dizer ao jogador que "ele existe". Não o podemos guardar só para quando as coisas correm bem ou mal, é sempre vital dá-los. Adaptá-los aos contextos, mas dar strokes aos atletas.

Nestes comportamentos, o treinador tem de dominar a ferramenta da comunicação, saber escutar, observar, verificar o input que o atleta reconheceu. O treinador tem claramente de perceber os quadros de referência dos atletas...não são todos iguais...se queremos tratar todos da mesma forma, mais tarde perderemos algum.

Para os treinadores é preciso saber dar, receber também, pois existem diversos strokes positivos e negativos por parte dos jogadores. É preciso também pedir e recusar por vezes. Não é fácil.

A importância de strokes para a motivação individual é de reforçar a auto-estima, dar confiança. assegurar que o atleta está no comportamento desejado, premiar o esforço e promover a mudança, a melhoria.

Para o colectivo, os strokes criam modelos, incentivam ao desenvolvimento de competências semelhantes em outros, passam uma mensagem de justiça, de qualidade evidenciada.

A identidade do jogador 'naquela' equipa

Todos os jogadores quando chegam a uma equipa confrontam-se com a conquista do seu espaço. Umas vezes essa luta é mais árdua, outras ocorre de forma natural e por vezes, o seu espaço é definido anteriormente por alguém...criando uma pressão ou não.

O jogador depara-se com passagens de diferentes níveis da sua identidade ali, 'naquela' equipa. Primeiro...é a imagem que o jogador tem dele, a sua confiança, o que ele pensa que deverá assumir e onde se vê!

Segundo, o jogador depara-se com o que pensam dele. Os seus colegas, equipa técnica e restantes dirigentes. Depois, o jogador e o ambiente em seu redor...o seu estatuto, expectativas, dimensão dos seus actos, etc. Por último, o jogador e a competição, onde são avaliadas as suas prestações, evolução, dados, estatísticas.

Há claramente jogadores, novos ou experientes, que vivem bem com estas exigências e fases diferentes da identidade dos jogadores na conquista do seu espaço nos plantéis.

Inteligência colectiva no...desporto

Nalgumas conversa que tenho tido com treinadores das mais diversas modalidades, principalmente colectivas, questiono sobre o papel dos jogadores e equipa na construção das regras do conjunto. E dos valores porque se regem. E dos objectivos. Pergunto se estão alinhados.

Bem sabem que nas empresas é, ou melhor, deveria ser assim. Será que no desporto também dá? Estarão os treinadores preparados para escutar e levar em linha de conta as opiniões dos seus jogadores para o regulamento interno do clube? E da equipa? Os objectivos deles...são os mesmos que os dos treinadores só porque estes impõem?


"Os jogadores estão sempre dispostos a enfrentar os maiores desafios, desde que esses sejam os seus desafios" disse Wyane Smith, treinador dos All-Blacks. Será que os treinadores vão nisto? Para uma melhor sinergia entre todos, devemos:

- co-responsabilizar todos na construção da visão da equipa, podendo mesmo ser com pesos difrentes, mas todos devem sentir aquilo também deles;

- gerir o processo...umas vezes deixar andar, outras insistir mais, facilitar a participação;

- existir um alinhamento entre tudo o que é decidido, existir coerência;

- acompanhar o processo e os conteúdos;

- favorecer o empowerment...não basta perguntar, é preciso escutar e perceber os sinais, nem que seja o silêncio.

sábado, 8 de novembro de 2008

O que é isso de uma equipa autónoma?

Qualquer treinador tem o seu ego! Fala-se muito do ego dos jogadores, da sua identidade, forma de estar, esquecendo-se por vezes o treinador. Conforme o estilo de liderança mais utilizado pelo treinador, tal como um chefe, vemos treinadores mais centralizadores, mais dirigistas, mais democráticos, concensuais, visionários, coachers, etc.

Faz parte do papel de um treinador deixar obra feita no sentido de tornar o seu jogador mais autónomo? E o que é isso de autonomia de um jogador? Bem, diria que é capacitar o jogador a pensar por si, a não estar dependente a 100 % do treinador e em situações de pressão e tomada de decisão, saber pensar por si! Até porque...quem joga são os jogadores e não os treinadores!

Porque passos passa é independência? Autonomia é igual a independência? Ou é interdependência? As equipas passam geralmente por quatro fases na conquista de uma autonomia que lhes possibilita encarar os desafios e os objectivos de uma forma 'culturalmente' comum.

Fase 1 - Dependência (do treinador)
Fase 2 - Contra-dependência (tentativa de mostrar que não precisam do treinador)

Fase 3 - Independência (as coisas saiem bem, mas não existe um compromisso comum a 100 % entre todos os intervenientes nos processos)

Fase 4 - Interdependência (implementação de uma relação de paridade entre todos - jogadores e equipa técnica - que conduza à responsabilização individual fazendo parte de uma abordagem sistémica...que todos dependem e condicionam).

domingo, 19 de outubro de 2008

Quem joga?

"No coaching, é decisivo perceber que quem joga são os jogadores, não os treinadores. E que o acto de treinar alguém subentende acima de tudo servir, mais que servirmo-nos" (Jorge Araújo)

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Treinador tem de comunicar!

Kobe Bryant:

"Como é jogar para o Coach K (Mike Krzyzewski)?

- É tudo o que eu esperava que fosse e ainda mais. Quando estava no high school, ele era a minha primeira esolha, mas tive de esperar cerca de 11 anos para jogar para ele. Ele é uma excelente pessoa e um treinador incrível e eu já aprendi muito com ele. Tem uma grande paixão pelo jogo, grande respeito pelos seus atletas e acima de tudo, quer ver os seus jogadores a jogar bem. E claro, quer ganhar. Ele comunica facilmente com os seus atletas e é muito claro naquilo que quer."

sábado, 27 de setembro de 2008

Defesa (ou ataque?) à zoning

Ferramenta engraçada para trabalhar as zonas de intervenção das problemáticas, porque não, com os treinadores!

- A identidade do coach;
- A identidade do coach com o treinador;
- A identidade do treinador;
- A relação do treinador com as pessoas com quem trabalha;
- O quadro de referência das outras pessoas para com o treinador;
- O problema (operacional, implicíto e explicíto);
- A relação dos outros com o problema;
- A relação do treinador com a problemática.

A identidade, e em termos muito simples, conjuga itens de variável importante e essencial. É só um cheirinho.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Coach do Treinador

Li hoje um artigo numa revista da especialidade que gostava de partilhar. É sobre os benefícios que o coaching pode ter sobre os treinadores e dado que já tinha lido outras coisas sobre o assunto, acrescentei mais alguma 'matéria'!

Na área do Desenvolvimento Pessoal o coaching ajuda a uma melhor gestão pessoal e controlo emocional. Ajuda a trabalhar as seis áreas do desenvolvimento de capacidades: auto-resolução; auto-motivação; confiança; auto-responsabilidade; identificação; e concentração.

Não nos esquecemos que os treinadores relacionam-se com pessoas, quer seja em desportos individuais ou colectivos. Como líderes, como potenciadores de comportamentos através dos seus próprios comportamentos, têm um papel fundamental nos resultados alcançados, nem que seja através do correcto 'clic'! Os treinadores têm o objectivo de maximizar o potencial e as capacidades de cada um, utilizar as ferramentas para que o todo seja maior que a soma de todas as partes.

Para além dos hardskills (conhecimentos tácticos, técnicos, dos adversários, metodologias de treino, biomecânica, fisiologia do esforço, etc.), tal como em outras profissões, carecem de uma ferramenta importante e que cada vez mais faz a diferença: os softskills.

Questões como observar para além do que se 'vê', questões relacionadas com o relacionamento interpessoal, a definição do estilo de liderança mais adequado, o potenciar a sua comunicação (observar, escutar, analisar e falar). Ajuda a definir os objectivos para a sua equipa e/ou para os seus atletas e a melhor forma de estruturar os procedimentos para melhorar a perfomance.

O coaching sobre os treinadores tem como principal missão elevar a perfomance de quem tem como missão potenciar a sua equipa a atingir níveis de desempenho elevados. Pode-se dividir o processo em quatro fases: 1) coaching a si próprio; 2) coaching à equipa; 3) definir comportamentos; 4) acções.

Como pode um coach ajudar um treinador? Através dos mecanismos referidos. Ajuda a dismistificar certas crenças e bloqueios e criar outro tipo de pensamentos. É sem dúvida uma descoberta pessoal e consciencializada dos valores, planos e metas. Não é alvo de coach quem pode ou precisa, mas quem quer. Apenas isso.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

E o coaching é...




De um pequeno texto e opinião de Miguel Pina e Cunha da Universidade Nova de Lisboa sobre o coach:

"Dois significados do termo coaching ajudam a compreender a sua aplicação ao mundo das organizações: por um lado, coach é o treinador, aquele que ajuda os seus pupilos a desenvolverem as suas capacidades. Por outro, é um meio de transporte, o que explica o processo de autodesenvolvimento como uma viagem de descoberta e melhoria."

"O coaching pode ser tomado como um processo que visa fomentar no colaborador o conhecimento de si mesmo e impulsionar o desejo de melhorar ao longo do tempo, bem como a orientação necessária para que a mudança se produza." Deste parágrafo destaco dois aspectos que me fascinam: 1) dá enfoque no processo e não somente no resultado, embora o resultado alcançado seja superior; e 2) garante aquilo que Jim Collins apelida 'garantir a continuação dos processos independentemente de quem dá à corda'.

"Trata-se, portanto, de uma filosofia de liderança que assenta na ideia de que o desenvolvimento e a aquisição de competências são processos contínuos e da responsabilidade de todos, e não apenas episódios limitados no tempo e espoletados pela hierarquia. A lógica do coaching tende pois a ser privilegiada nas organizações genuinamente aprendentes, nas quais a responsabilidade pelo desenvolvimento é pessoal, embora apoiada e enquadrada pela organização."